Yimou ainda é o esteta da determinação feminina; Beresford faz melodrama barato

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O chinês Zhang Yimou, o diretor de A Árvore da Vida

É assim que encontramos o garoto de 11 anos Li Cunxin (interpretado incialmente por Wen Bing Huang e em seguida por Chengwu Guo e Chi Cao), levado de um vilarejo para estudar em Pequim, na escola de dança Madame Mao, no início dos anos 1970, e já nos anos 1980, na Companhia Houston Ballet, no Texas, em O Último Dançarino de Mao.

E a menina Jing Qiu (Zhou Dongyu), mandada para o campo – em um processo de reeducação, depois que seu pai é preso pelo governo chinês –, onde encontra o geólogo Sun (Shawn Dou), filho de um militar, pertencente, portanto, a uma classe social mais abastada, com quem vive uma paixão proibida em A Árvore do Amor, adaptação do livro Hawthorn Tree Forever, de Ai Mi.

Cunxin torna-se primeiro bailarino da Companhia Houston Ballet. Apaixona-se por uma colega, com quem se casa, e decide permanecer nos Estados Unidos, gerando então um incidente diplomático com a China, que poderia afastá-lo definitivamente de sua família. Jing Qiu permanece pisando em ovos, vítima de um amor abortado antes mesmo de se tornar pleno, porque, filha de um opositor do regime de Mao Tsé-Tung, tem o relacionamento vetado pela mãe, que teme a ação da Guarda Vermelha contra a família.

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O australiano Bruce Beresford, de O Último Dançarino...

Mas ninguém pense que O Último Dançarino de Mao e A Árvore do Amor sejam filmes brilhantes. Sobretudo aquele, em que Bruce Beresford, o diretor de Conduzindo Miss Daisy, revela mão pesada na condução de um melodrama, entre idas e vindas aos EUA e à China, que encontra sua razão de ser apenas nos números de dança e na história do bailarino Li Cunxin.

Porque de resto, um filme cheio de exageros, sobretudo quanto ao impacto exercido por uma grande cidade dos Estados Unidos sobre um garoto criado em Pequim. E mesmo o clímax que precede o desfecho, em um encontro digno de um quadro do programa de Faustão, não justifica tamanho frouxidão narrativa perpetrada por Beresford.

Melhor, bem melhor, é A Árvore do Amor, em que Zhang Yimou, o grande cineasta chinês, apesar de não se encontrar tão inspirado, mantém-se firme como um esteta, a depurar o sentido e nos confrontar – em uma história que se vai fiando, gradativamente, em beleza de detalhes – com o sentimento de determinação feminino, o que, aliás, é uma constante na filmografia do autor de Lanternas Vermelhas, Amor e Sedução, A História de Qiu Ju e O Clã das Adagas Voadoras.