Werner Herzog impõe-se a superação de limites em Caverna dos Sonhos Perdidos

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CAVERNA DOS SONHOS PERDIDOS – Werner Herzog mostra o resultado da expedição que acompanhou, como único autorizado, à caverna Chauvet, na França, acessível apenas a um grupo de pesquisadores que se dedicam a estudar a arte rupestre encontrada ali. Figuras em profusão pintadas há 30 mil anos, que permaneceram inéditas até os anos 90, quando a caverna foi descoberta e logo fechada à visitação pública. Filmado em um 3D providencial, o filme transcende o conceito de documentário para se situar em uma investigação sobre a natureza humana e seu limite (inesgotável) de criação. Aliás, Herzog não nega sua veia autoral, impondo-se a superação de limites.

Foi sempre assim. Em Aguirre – A Cólera dos Deuses (1972), inspirou-se na expedição espanhola enviada no século XVI por Gonzalo Pizarro em busca de El Dorado, na América do Sul, para fazer um ensaio desesperado sobre o homem confrontado em um ambiente hostil. Em Fitzcarraldo (1981), conta a saga do aventureiro Brian Sweeney Fitzgerald, que se embrenha pela selva em um barco a vapor para construir um teatro de ópera em plena Amazônia peruana. Ele mesmo, Herzog, um destemido (levou equipe e material de filmagem mata adentro, com sua embarcação), revelou-se, ali, um mestre do gesto insano, dos personagens que lutam pela causa impossível. O veículo girando desgovernado, recorrente em seus filmes, é um sinal disso. Mas nunca, na tela, o cineasta mostra-se desorientado. Como se vê nesse deslumbrante Caverna dos Sonhos Perdidos.

Ficha Técnica

Diretor: Werner Herzog
Título original: Cave of Forgotten Dreams
País: Canadá, EUA, França, Alemanha, Reino Unido
Duração: 90 min
Aano: 2010
Roteiro Werner Herzog
Edição: Joe Bini, Maya Hawke
Fotografia: Peter Zeitlinger
Música: Ernst Reijseger
Produção: Andrea Anderson, Amy Briamonte, Adrienne Ciuffo, Phil Fairclough, Dave Harding, Julian Hobbs, David McKillop, Erik Nelson, Molly Thompson, Judith Thurman, Alain Zenou, Nicolas Zunino