
Cena de Oliver, musical de 1968 que ganhou quatro Oscar, incluindo melhor direção para Carol Reed
Talvez não seja a melhor adaptação de Charles Dickens (1812-1870) no cinema, nem a mais fiel, pois se trata de uma livre transposição do romance do escritor britânico que estaria completando 200 anos nesta terça-feira, mas destaco, logo abaixo, uma das magníficas sequências de Oliver, lançado em 1968 por Carol Reed (O Terceiro Homem), que ganhou quatro Oscar: melhor filme, diretor, trilha sonora, direção de arte e som.
Uma aula, um exercício de mise-en-scène, uma delicadeza narrativa nesse e em vários momentos do musical que acompanha a trajetória do garoto criado em um orfanato, interpretado por Mark Lester, que ganha as ruas de Londres e fica à mercê de ladrões e dos mais variados tipos de escroques, depois de ser vendido para um agente funerário que o quer como seguidor de féretro.
Uma história que talvez encontre seus melhores momentos no cinema no filme dirigido em 1948 por David Lean – logo depois de lançar outra obra-prima, adaptada também de um romance de Dickens, Grandes Esperanças(1946) – e no Oliver Twist de Roman Polanski, de 2005, de certa forma, subestimado por público e crítica, que mostra o diretor de O Bebê de Rosemary em forma, pouco antes do impactante O Escritor Fantasma.
Aliás, a título de lembrança, é de Roman Polanski outro belíssimo filme de corte essencialmente clássico desprezado a sua época: Tess, realizado em 1979, baseado na novela Tess of the d’Urbervilles, de Thomas Hardy (1840-1828), que não é outro senão o escritor de Judas, O Obscuro e um dos autores da era vitoriana influenciados por Dickens.
No bicentenário de Charles Dickens, vale a pena lembrar que se contam centenas de adaptações para o cinema e a TV de obras desse escritor, o mais famoso de seu tempo. Nascido na cidade litorânea de Portsmouth (sul da Inglaterra), ele recebe, hoje, inúmeras homenagens, dentre elas, uma cerimônia em seu no túmulo, na abadia de Westminster, em Londres, com a participação do príncipe Charles e do ator Ralph Fiennes.
Fiennes, atualmente envolvido em duas produções sobre o escritor, atua na nova adptação de Grandes Esperanças, dirigida por Mike Newell – que conta, no elenco, com Helena Bonham Carter e Jeremy Irvine, o garoto Joey, de Cavalo de Guerra, no papel de Pip, o órfão criado pela família de um ferreiro – e dirige The Invisible Woman, longa sobre o relacionamento de Dickens com a atriz Ellen Ternan, sua amante.
Sobre Charles Dickens
O que ver: Oliver Twist (versões de David Lean e Roman Polanski)
Oliver (de Carol Reed)
Grandes Esperanças (de David Lean)
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