Tudo que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado, fala sobre arte e transformação

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A princípio escalado para papel secundário, Lázaro Ramos batalhou para fazer o protagonista Foto: Divulgação

Tudo que Aprendemos Juntos surgiu de um convite para mostrar o trabalho do Instituto Baccarelli, em Heliópolis, a partir da peça Acorda Brasil, de Antônio Ermírio de Moraes. Dito isso, é para pensar o filme, que chega esta semana aos cinemas brasileiros, como um produto chapa-branca.

Mas o que aparece é uma história de entrega, a partir da trajetória do músico Laerte, interpretado por Lázaro Ramos, violinista que falha no teste para entrar na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e vai ser professor de música de adolescentes carentes na escola da favela de Heliópolis.

Entrega não apenas de Lázaro, a princípio escalado para um papel secundário, que batalhou para fazer o protagonista; do próprio diretor, Sérgio Machado, que no início não tinha planos de fazer o filme, mas mergulhou no projeto a ponto de construir uma relação muito próxima com a equipe, e dos adolescentes treinados para ouvir, tocar e atuar em curto período.

Normalmente envolvido com projetos pessoais – que abrigam o lírico e impensável documentário Onde a Terra Acaba (2001), sobre o autor de Limite (1931), Mário Peixoto, e a atualização da Velha Bahia de Jorge Amado, em Cidade Baixa (2005) –, Machado mantém traços próprios e provoca os sentidos com singularidades estilísticas.

Estresse e dificuldades surgem numa atmosfera de princípio inexorável. Os ‘fios tensos’ que tremulam como as cordas de um instrumento, formando os créditos, sinalizam, logo no início, as intenções do diretor. Tudo que Aprendemos Juntos é sobre arte e transformação.