Relação amorosa a três sem culpa e traição

Triângulo Amoroso - pontocedecinema.blog.br

Triângulo Amoroso: relação entre dois homens e uma mulher é vista com naturalidade e bom humor

Outro filme que integra o Festival Internacional de Cinema de Salvador e pega o público de surpresa, pelo tema insólito conduzido sem qualquer excepcionalmente dramática, é Triângulo Amoroso, do alemão Tom Tykwer, diretor do incensado Corra, Lola, Corra. O filme, que volta a ser exibido nesse domingo (20/11), no Cinema da Ufba, como diz o título, aborda uma relação a três – de um casal com um homem que é amante dos dois. Esse terceiro vértice, portanto, não é um terceiro vértice qualquer.

Tom Tykwer não é Bertrand Blier (lembram de Meu Marido de Batom?). Faz um filme repleto de clichês que, no entanto, não dissolvem seu poder de fogo. Ele aborda uma relação sui generis de forma natural e com muito bom humor. Talvez os lugares-comuns sejam realmente intencionais, no sentido de ressaltar essa naturalidade. O título do filme em português, que nos leva a uma associação com traumas folhetinescos, de flutuações amorosas ressentidas, não é bom.

Triângulo Amoroso deveria se chamar Três, como no original, Drei, porque Tykwer retira o verniz dramático que possa associar o filme a uma abordagem sobre culpa e traição. Não é novidade. O mestre nisso é Louis Malle, que levou à tela questões como incesto e prostituição infantil com a leveza de uma pena. Três condiz mais com a proposta modernizadora do filme, que tem uma bela sequência de abertura, com um balé de três simbolizando a relação do casal com o amante, até o número encher, por completo, a tela.

E há também uma bela sequência final, com um recuo de câmera arrebatador até o desaparecimento dos três personagens na cama, com efeito gráfico surpreendente, dando conta da natureza fértil, seminal, daquela relação. O público ri o tempo inteiro, mas vai à lona. O filme é deveras inquietante. Para uns.

Veja a seguir o trailer de Triângulo Amoroso.