Tim Burton lança olhar arrepiante e impagável sobre os anos 70 como resquícios de um ‘paraíso perdido’

Sombras da Noite - pontocedecinema.blog.br

A família de Barnabas Collins (Johnny Depp) e agregados muito loucos no filme Sombras da Noite, de Tim Burton

Um dos filmes mais divertidos e originais do ano. Sombras da Noite (Dark Shadows), a oitava parceria do ator Johnny Depp com o cineasta Tim Burton, é a principal estreia da semana. (Deixemos em paz, por ora, o Woody Allen em pré-estreia de Para Roma Com Amor).

Trata-se de uma fabula vampiresca encharcada de humor e charme kitsch, que põe no chinelo qualquer tentativa do cinema comercial norte-americano, no último momento, de ser leve e engraçado.

Na verdade uma adaptação da antiga série de TV norte americana Sombras da Noite, exibida entre 1966 e 1971. Burton conta a história de Barnabas Collins (Depp), transformado em vampiro e enterrado vivo pela bruxa Angelique Bouchard (Eva Green).

O filme começa com prólogo inventivo, de evocação shakespeareana, que introduz a má sorte do jovem playboy Barnabas, no século XVIII, logo depois de se atirar de um penhasco atrás de seu grande amor, Josette (Bella Heathcote).

Resgatado das sombras em 1972, Barnabas vai acertar contas com Angelique, ao mesmo tempo em que volta ao castelo construído por seus pais e dá de cara com descendentes nada convencionais.

Não mais que uma família comandada pela personagem de Michelle Pfeiffer, que absorve agregados mais malucos ainda em uma atmosfera fantasmagórica que retoma o espírito de Os Fantasmas Se Divertem (1988), um dos primeiros e melhores filmes de Tim Burton.

Mas tudo é apenas pretexto para o cineasta destilar humor raro – com delicadeza narrativa, cadência, clareza e arte – provocado pelo estranhamento de um ser que se vê acordado em um mundo mais estranho do que sua própria condição de criatura condenada a viver eternamente.

Sombras da Noite desfila uma série de referências pop. Ri-se o tempo todo – de tudo e com todos.

As piadas se sucedem como cascatas, da brincadeira com o M da McDonald’s e o sexo de Alice Cooper ao resgate de pérolas dos anos 70, como o filme Love Story e a impagável frase “Amar é jamais ter que pedir perdão”, do romance de Erich Segal.

E evocações eminentes dos Carpenters (Top of The World), de Barry White (You’re the First, the Last, My Everything), passando por nomes como Iggy Pop (I’m Sick Of You) e Donovan (Season Of The Witch) e o próprio Alice Cooper, enriquecidas pela partitura de Danny Elfman.

Sombras da Noite lança um olhar arrepiante de hoje sobre aos seventies como se fossem mesmo resquícios de um ‘paraíso perdido’, só para citar Claude Beylie, em seu indispensável As Obras-Primas do Cinema, quando fala de Amargo Pesadelo (1972), o Deliverance de John Boorman.

Aliás, o clássico de Boorman também é citado nos letreiros de um cinema logo no início do filme e, como lembrança do inesperado que nos vigia, na incrível sequência em que o vampiro devora um bando de hippies na floresta.

Burton faz uma paródia e tanto ao gênero macabro que reafirma – ao mesmo tempo que nos deixa com saudades de – filmes extremamente criativos como A Dança dos Vampiros (1967), de Roman Polansky.

#Leia a seguir as sinopses, conforme enviadas pelos exibidores, e veja os traileres dos filmes. Para saber mais sobre as estreias e pré-estreias, os filmes que continuam em cartaz, exibições e mostras especiais, além do horário, consulte Em cartaz, ao lado.

ESTREIAS

A PRIMEIRA COISA BELA (La Prima Cosa Bella)
De Paolo Virzì. Itália, 2010. 12 anos. Com Valerio Mastandrea, Micaela Ramazzotti, Stefania Sandrelli. Em 1971, na pequena cidade de Livorno, no litoral Italiano, o jovem Bruno vê sua mãe, Anna, atraindo os olhares de todos os homens ao seu redor e se sente constrangido com a situação. Mais de 30 anos depois, ele, agora um professor desinteressado, retorna à cidade para visitar a mãe que sofre de uma doença terminal e o passado volta a atormentá-lo. Representante da Itália no Oscar 2011.

E AÍ, COMEU?
De Felipe Joffily. Brasil, 2012. Com Marcos Palmeira, Bruno Mazzeo, Emilio Orciollo Netto, Laura Neiva, Dira Paes e Juliana Schalch. Fernando, Honório e Fonsinho são três amigos de infância que, diante da “nova mulher”, tentam entender o papel do homem no mundo atual. Reunidos no Bar Harmonia, eles querem resolver seus dilemas.

MADAMA BUTTERFLY (Madam Butterfly)
De Julian Napier. Inglaterra, 2012. Com Liping Zhang, James Valenti, Robin Leggate, Helene Schneiderman, Anthony Michaels-Moore, Daniel Grice, Alan Duffield e Jeremy White. Japão, século XIX, no período em que os EUA começam uma aproximação com o império nipônico. Vários oficiais da marinha americana visitaram o Japão e contraíram matrimônios temporários com jovens japonesas. É o caso do tenente Benjamin Franklin Pinkerton, que compra uma casa e, com ela, uma gueixa, Cio-Cio-San (Butterfly, ou Borboleta). Enquanto a garota está perdidamente apaixonada pelo oficial e acredita na seriedade de seu casamento, Pinkerton pensa no dia em que se casará de verdade com uma esposa americana.

MINHA FELICIDADE (Schastye Moe)
De Sergei Loznitsa. Alemanha/Holanda/Ucrânia. 14 anos. Com Viktor Nemets,Vladimir Golovin e Aleksey Vertkov. Um jovem caminhoneiro se perde no campo russo. Ele acaba conhecendo um senhor infeliz, uma prostituta menor de idade, um estranho cigano e policiais corruptos. Quanto mais ele tenta encontrar seu caminho de volta à civilização, mais descobre que a força e instintos de sobrevivência substituíram qualquer forma de humanidade. Seleção do Festival de Cannes e da Mostra de São Paulo.

OS ACOMPANHANTES (The Extra Man)
De Shari Springer Berman. EUA. 12 anos. Com Kevin Kline, Paul Dano, Katie Holmes, John C. Reilly. Depois de um embaraçoso incidente, o jovem Louis Ives é obrigado a deixar seu emprego e vai para Nova York, onde aluga um quarto no mesmo apartamento que vive Henry Harrison, um dramaturgo sem dinheiro e descontroladamente excêntrico. Louis logo consegue um novo emprego em uma revista ambiental, onde trabalha a naturalista obsessiva Mary. Ao conviver com seu vizinho Henry, Louis desperta sua imaginação e eles começam a desenvolver uma relação mentor-aprendiz, quando começam a trabalhar como acompanhantes das belas e ricas viúvas de Upper East Side.

O QUE EU MAIS DESEJO (Kiseki (I Wish)
De Hirokasu Koreeda. Japão, 2011. 12 anos. Com Koki Maeda, Ohshirô Maeda, Ryôga Hayashi, Cara Uchida e Kanna Hashimoto. No Japão, na ilha de Kyushu, dois irmãos vivem separados após o divórcio de seus pais. Koichi, o mais velho, mora com sua mãe no sul da ilha, e seu irmão mais novo, Ryunosuke, com o pai, no norte da ilha. O que o irmão mais velho deseja, acima de tudo, é que sua família viva junto novamente. Por isso, quando escuta de um amigo da escola a história de que um desejo pode ser realizado se feito no momento em que dois trens-bala se cruzam, ele decide organizar uma viagem secreta até o ponto de interseção dos trens, onde o milagre poderá acontecer.

Sombras da Noite (Dark Shadows)
De Tim Burton. EUA, 2012. 14 anos. Com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Michelle Pfeiffer, Chloë Grace Moretz, Eva Green e Jonny Lee Miller. Em 1752, Joshua (Ivan Kaye) e Naomi Collins (Susanna Cappellaro) e seu filho Barnabas deixam Liverpool, na Inglaterra, para começar vida nova na América. Vinte anos depois, Barnabas Collins (Johnny Depp) é um rico, poderoso e inveterado playboy, que reina absoluto em Collinsport, até magoar o coração de Angelique Bouchard (Eva Green), uma bruxa que o transforma em vampiro e o enterra vivo. Dois séculos se passam e Barnabas é libertado de seu túmulo para encontrar seu patrimônio e remanescentes de sua família em ruínas.

PRÉ-ESTREIA

PARA ROMA COM AMOR (To Rome With Love)
De Woody Allen. EUA/Epanha/Itália, 2012 12. 12 anos. Com Woody Allen, Roberto Benigni, Ornella Muti, Penélope Cruz e Judy Davis. Quatro histórias, numa das cidades mais encantadoras do mundo: um conhecido arquiteto americano revivendo sua juventude; um morador de Roma de repente se vê como uma grande celebridade da cidade; um casal de jovens com encontros e desencontros românticos; e uma diretora de ópera que tenta fazer um agente funerário cantar.