A face de Jorge Amado no cinema e na TV

Dona Flor e Seus Dois Maridos - pontocedecinema.blog.br

A atriz no papel de Dona Flor, no filme de Bruno Barreto

Nos anos 1970, a presença de Jorge Amado no cinema foi marcante, com as filmagens, nas ruas de Salvador, do que viria a se tornar o retumbante sucesso do cinema brasileiro durante décadas, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, com Sônia Braga e José Wilker incorporando como ninguém a veia amadiana, Os Pastores da Noite (Otália da Bahia), de 1977, dirigido por Marcel Camus, e Tenda dos Milagres, também de 1977, de Nelson Pereira dos Santos.

Antes disso tudo, porém, uma das inúmeras – e talvez a melhor adaptação de Jorge Amado para as imagens em movimento: a novela global Gabriela, de 1975, escrita por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini, com Sônia Braga no papel título. A atriz se tornou a face de Amado no cinema e na televisão. Nos anos 1980, novamente convincente, voltou a encarnar Gabriela, na versão fracassada do romance Gabriela Cravo e Canela, feita pelo próprio Bruno Barreto, ao lado de Marcello Mastroianni no papel de Nacib.

E retornaria ao universo de Jorge Amado, nos anos 1990, em Tieta , adaptação do romance Tieta do Agreste, com direção de cacá Diegues, personagem vivida também com extrema competância entre 1989 e 1990 por Betty Faria, na novela escrita por Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, com direção geral de Paulo Ubiratan.

Cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos - pontocedecinema.blog.br

Cartaz de Dona Flor e Seus Dois Maridos

Sônia Braga, uma atriz, portanto, para não esquecer também em registros como o da “tarântula” que se insinua nas histórias de filmes antigos contadas por William Hurt a Raúl Julia em O Beijo da Mulher Aranha, do livro de Manuel Puíg, dirigido por Hector Babenco, ou no papel de Solange, a mulher que não conseguia ter prazer com o marido em A Dama do Lotação, de Neville de Almeida, baseado em original de Nelson Rodrigues, espécie de ersatz, digamos assim, do magnífico A Bela da Tarde, de Luis Buñuel.

MAIS JORGE AMADO – Perdem-se no vento as adaptações de Jorge Amado para o cinema e a televisão. Talvez o único autor a lhe perseguir com a sombra seja o Nelson Rodrigues de Vestido de Noiva, Álbum de Família, Os Sete Gatinhos, A Falecida, Bonitinha, Mas Ordinária, dentre outras obras.

Mas Amado parece imbatível: as transposições vêm pelo menos de 1948, quando Edmond Bernoudy fez Terra Violenta, a partir de Terras do Sem Fim, passando por Seara Vermelha (1963/64), de Alberto d´Aversa, Capitães da Areia, de 1970, produção americana dirigida por Hall Bartlett, Jubiabá (1987), de Nelson Pereira dos Santos. Não se pode esquecer Meu Adorável Fantasma, a invasiva e disfarçada versão de Dona Flor e Seus Dois Maridos feita pelo cinema norte-americano, em 1982, com direção de Robert Mulligan e tendo à frente do elenco Sally Field.