Sokurov viaja entre o sonho e a realidade para mostrar Museu do Louvre, em Francofonia

Diretor russo discute grandes temas em filme que se situa na fronteira entre o documentário e a ficção

Francofonia -  pontocedecinema.blog.br

Um dos episódios históricos abordados é a preservação do acervo do Louvre durante a ocupação nazista Foto: Divulgação

Autor da Tetralogia do Poder, formada por Moloch (1999), Taurus (2000), O Sol (2004) e Fausto (2011), o diretor Alexandr Sokurov está de volta com Francofonia – Louvre Sob Ocupação, deslocando o olhar para o grande museu francês.

Como sempre acontece na obra do cineasta Russo – que em 2002 encantou o mundo com A Arca Russa, filme feito em um único plano-sequência, um passeio pelo deslumbrante Hermitage, de São Petersburgo –, Francofonia é radical até a medula e absolutamente inclassificável na posição em que se situa, uma região fronteiriça entre ficção e documentário.

Em um primeiro momento, o próprio cineasta conversa pelo Skype com o capitão de um navio que carrega o acervo de um museu. Estão em épocas diferentes, mas ambos se preocupam com a segurança ou o destino que se dará às obras. Logo aí, uma quebra no indicativo de tempo/espaço para falar da importância da arte, um motor na história da humanidade.

A narrativa do filme é costurada pelo presença do diretor do Louvre, Jacques Jaujard (Louis-Do De Lencquesaing), e do oficial alemão Franz Wolff-Metternich (Benjamin Utzerath),  nomeado por Hitler como codiretor do museu, que trabalharam juntos para a preservação do maravilhoso acervo durante a ocupação nazista.

Material de arquivo e um passeio pelos imensos corredores do Louvre se juntam a encenações com personagens históricos: Napoleão Bonaparte e a alegórica personagem Marianne, símbolo da república francesa. “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. A permanência do lema está assegurada.

Francofonia fala sobre grandes temas, não apenas a arte, e será como uma viagem entre o sonho e a realidade, o sono e a vigília. Também, a confirmação de um Sokurov profundo e remissivo como visto na tetralogia que evoca Hitler, Lenin, Hiroito e o emblemático mito de Fausto, o homem que vendeu a alma ao diabo.