Sem charme, nem sex appeal: desleixo com a narrativa torna Magic Mike XXL um filme banal

Magic Mike XXL - pontocedecinema.blog.br

Richie (Joe Manganiello), Magic Mike (Channing Tatum) e Tito (Adam Rodriguez): road movie nada convencional

Alguém pode se sentir atraído pelo que sugere a sigla XXL (Extra Extra Large) no título do filme que dá sequência ao primeiro Magic Mike, realizado por Steven Soderbergh. Mas, nada é tanto assim.

Sob a direção de Gregory Jacobs, um contumaz colaborador do cineasta notabilizado em 1989 com sexo, mentiras e videotape, a nova produção promete muito mais do que entrega ao consumidor de músculos e outras protuberâncias normalmente servidas a quilo em shows de striptease masculino.

Magic Mike XXL é bem mais acanhado que o filme de 2012, um dos maiores sucessos da carreira de Soderbergh, agora atuando como diretor de fotografia, montador e produtor. Também pudera, falta o eixo dramático formado por três personagens básicos do primeiro.

São eles o mestre de cerimônias do clube de striptease interpretado por Matthew McConaughey (Dallas), o novato Adam ‘The Kid’ (Alex Pettyfer), cooptado para stripper, e sua irmã pouco condescendente Brooke (Cody Horn), pela qual a estrela do show, Magic Mike (Channing Tatum), se apaixona.

Consta que o cachê de McConaughey (que venceu o Oscar de Melhor Ator com Clube de Compras Dallas, de 2013) ficou muito alto para ser bancado pela produção. Tatum e Pettyfer não se deram bem na temporada do filme anterior. Em consequência, o papel de Horn perdeu espaço nessa nova produção.

ÚLTIMA APRESENTAÇÂO
Três anos depois de abandonar o palco, Magic Mike está sozinho. Prosperou, mas ainda batalha para abrir uma loja de móveis artesanais. É chamado então pelos demais parceiros que voltaram do Texas para uma última apresentação na convenção de strippers em Myrtle Beach.

Dallas e Adam conseguiram um providencial contrato na China. Brooke é apenas mencionada como a namorada de Mike. Este vai ao encontro de ‘Big Dick’ Richie (Joe Manganiello), Tarzan (Kevin Nash), Tito (Adam Rodriguez) e Ken (Matt Bomer) para a viagem de despedida. Partindo de Tampa, passando por Jacksonville, ainda na Flórida, e Savannah, na Geórgia, em um road movie nada convencional até o balneário da Carolina do Sul.

O mestre de cerimônias da vez será Tobias (Gabriel Iglesias), o fornecedor de drogas que iniciou o foco dramático mais intenso do filme anterior. Ele aparece bem no início, mas logo perderá força. O resultado é também um providencial afastamento do personagem em um acidente de estrada.

Mike, Richie, Tarzan, Tito e Ken prosseguem a rota. Vão fazer novas amizades e rever velhas amigas. Uma delas é Rome (Jada Pinkett Smith), a mestre de cerimônias de um clube de strippers frequentado por mulheres que ela chama de rainhas.

Tudo é definitivamente falso em Magic Mike XXL. Até a aparição de Andie MacDowell, que estourou em sexo, mentiras e videotape com Soderbergh. Nancy Davidson surge em um petit comité de mulheres e sua presença parece apenas um mote para justificar a anatomia de ‘Big Dick’ Richie tão alardeada por Dallas no primeiro filme.

A novidade de Magic Mike em sua versão XXL é que o grupo deixa um círculo mínimo, com razões e interesses específicos, centrados na célula de Tampa de três anos atrás, para, enfim, ganhar a vida, o que fica claro já no início com os rapazes se esbaldando em uma boate gay, depois no clube de strippers negros e em seguida na reunião de amigas com Davidson.

Seriam boas inserções sobre questões de gênero, relações entre minorias, embates afetivos e solidão não fossem o desleixo total com a narrativa e a falta de cuidado com diálogos e personagens.

Se o primeiro Magic Mike já era um tanto vazio, perdido entre o distanciamento crítico proposto por Soderbergh, com sua narrativa fria, e as sequências tórridas no clube de Dallas, este XXL mostra-se desprovido de charme e sex appeal, sem maior interesse até para quem vai ao cinema apenas interessado em música, dança, sexo e diversão.

 

Desleixo com a narrativa torna Magic Mike XXL um filme banal
Channing Tatum está de volta como streapper no papel que o tornou famoso em 2012
Adalberto Meireles
Jornalista

Alguém pode se sentir atraído pelo que sugere a sigla XXL (Extra Extra Large) no título do filme que dá sequência ao primeiro Magic Mike, realizado por Steven Soderbergh. Mas, nada é tanto assim.

Sob a direção de Gregory Jacobs, um contumaz colaborador do cineasta notabilizado em 1989 com sexo, mentiras e videotape, a nova produção promete muito mais do que entrega ao consumidor de músculos e outras protuberâncias normalmente servidas a quilo em shows de streaptease masculino.

Magic Mike XXL é bem mais acanhado que o filme de 2012, um dos maiores sucessos da carreira de Soderbergh, agora atuando como diretor de fotografia, montador e produtor. Também pudera, falta o eixo dramático formado por três personagens básicos do primeiro.

São eles o mestre de cerimônias do clube de strepetease interpretado por Matthew McConaughey (Dallas), o novato Adam ‘The Kid’ (Alex Pettyfer), cooptado para streapper, e sua irmã pouco condescendente Brooke (Cody Horn), pela qual a estrela do show, Magic Mike (Channing Tatum), se apaixona.

Consta que o cachê de McConaughey (que venceu o Oscar de Melhor Ator com Clube de Compras Dallas, de 2013) ficou muito alto para ser bancado pela produção. Tatum e Pettyfer não se deram bem na temporada do filme anterior. Em consequência, o papel de Horn perdeu espaço nessa nova produção.

Última apresentação
Três anos depois de abandonar o palco, Magic Mike está sozinho. Prosperou, mas ainda batalha para abrir uma loja de móveis artesanais. É chamado então pelos demais parceiros que voltaram do Texas para uma última apresentação na convenção de streappers em Myrtle Beach.

Dallas e Adam conseguiram um providencial contrato na China. Brooke é apenas mencionada como a namorada de Mike. Este vai ao encontro de ‘Big Dick’ Richie (Joe Manganiello), Tarzan (Kevin Nash), Tito (Adam Rodriguez) e Ken (Matt Bomer) para a viagem de despedida. Partindo de Tampa, passando por Jacksonville, ainda na Flórida, e Savannah, na Geórgia, em um road-movie nada convencional até o balneário da Carolina do Sul.

O mestre de cerimônias da vez será Tobias (Gabriel Iglesias), o fornecedor de drogas que iniciou o foco dramático mais intenso do filme anterior. Ele aparece bem no início, mas logo perderá força. O resultado é também um providencial afastamento do personagem em um acidente de estrada.

Mike, Richie, Tarzan, Tito e Ken prosseguem a rota. Vão fazer novas amizades e rever velhas amigas. Uma delas é Rome (Jada Pinkett Smith), a mestre de cerimônias de um clube de streappers frequentado por mulheres que ela chama de rainhas.

Tudo é definitivamente falso em Magic Mike XXL. Até a aparição de Andie MacDowell, que estourou em sexo, mentiras e videotape com Soderbergh. Nancy Davidson surge em um petit comité de mulheres e sua presença parece apenas um mote para justificar a anatomia de ‘Big Dick’ Richie tão alardeada por Dallas no primeiro filme.

A novidade de Magic Mike em sua versão XXL é que o grupo deixa um círculo mínimo, com razões e interesses específicos, centrados na célula de Tampa de três anos atrás, para, enfim, ganhar a vida, o que fica claro já no início com os rapazes se esbaldando em uma boate gay, depois no clube de streappers negros e em seguida na reunião de amigas com Davidson.

Seriam boas inserções sobre questões de gênero, relações entre minorias, embates afetivos e solidão não fossem o desleixo total com a narrativa e a falta de cuidado com diálogos e personagens.

Se o primeiro Magic Mike já era um tanto vazio, perdido entre o distanciamento crítico proposto por Soderbergh, com sua narrativa fria, e as sequências tórridas no clube de Dallas, este XXL mostra-se desprovido de charme e sex appeal, sem maior interesse até para quem vai ao cinema apenas interessado em música, dança, sexo e diversão.