Ritos de Passagem em primeira exibição

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Alexandrino correndo na caatinga: Ritos de Passagem, segundo longa de animação do baiano Chico Liberato

O filme Ritos de Passagem, de Chico Liberato, ganha primeira exibição em Salvador na quarta-feira, 31/10, às 20h40, no 8º Panorama Internacional Coisa de Cinema. Após a sessão, um bate-papo com o diretor. Leia matéria publicada em 7/05/2012.

“Agora podemos ficar mais tranquilos”, afirma Alba Liberato, roteirisrta de Ritos de Passagem – o segundo longa-metragem de animação dirigido por seu marido, Chico Libertato. “Depois de mais de três anos de trabalho exaustivamente pesquisado, feito e refeito”, o filme ganha primeira exibição nesta terça-feira (8/5), no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, na programação da Celebração das Culturas dos Sertões.

Chico Liberato, artista plástico e cineasta, um pioneiro (dirigiu Boi Aruá em 1983, o primeiro longa de animação da Bahia e um dos primeiros do Brasil), diz que o filme está correspondendo às expectativas. Faltam agora pequenos ajustes que serão realizados em Porto Alegre, após o que Ritos ganhará pré-estreia em Salvador. Como não poderia deixar de ser, erm se tratando de obra de Chico, em seu traço singular, o filme celebra a cultura sertaneja.

O espectador é logo situado nos acontecimentos trágicos, ocorridos no sertão baiano no final do século 19 e início do século 20. O filme evoca elementos da mitologia grega, ao tempo em que mostra o encontro de Antônio Conselheiro e Lampião, figuras representadas pelo Santo e o Guerreiro, em sua morte, que tomam a barca de Caronte para fazer a travessia do perigoso Rio da Morte, o Aqueronte, às margens do inferno.

Assista a trechos de Ritos de Passagem.

Segundo os gregos, Caronte era o velho barqueiro responsável por conduzir as almas do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Para não ter que vagar pelas margens do rio, elas tinham que ser enterradas e pagar pela travessia. Por isso o costume dos gregos de colocar uma moeda na boca dos mortos.

No recorte feito por Alba, conta Chico, o Santo e o Guerreiro passam por um processo de reflexão sobre o que viveram no sertão, “através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência”.

O exautivo no trabalho, sobre o qual Alba Liberato fala, tem a ver com as especificidades da animação no tocante à reacriação da realidade com a interação da imagem e o roteiro escrito. “Trabalhamos juntos o tempo todo a adaptação do texto à imagem, da imagem ao texto – tudo é um organismo único”, complementa.

Foram 14 animadores de frente trabalhando para a realização do filme, que contou com cerca de 90 profissionais. Nomes como Harildo Déda, Jasckson Costa, Ingra Liberato, Olney São Paulo Jr., Caco Monteiro, Tina Tude e Dulce Valverde emprestam a voz aos personagens do filme. Na trilha sonora, com peças de João Omar, João Liberato e Ernst Widmer, a participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), sob a regência do maestro Eduardo Torres e do próprio João Omar.

Para mais informações acesse o Blog Liberato.