Revolução Cultural é pano de fundo em dois filmes

A Árvore do Amor - pontocedecinema.blog.br

Jing Qiu (Zhou Dongyu) e Sun (Shawn Dou) formam o casal apaixonado em A Árvore do Amor, de Zhang Yimou

Coincidentemente em cartaz, dois filmes que levam às lágrimas o público de Salvador. Os melodramas O Último Dançarino de Mao, baseado no best-seller autobiográfico de Li Cunxin, dirigido pelo australiano Bruce Beresford, e A Árvore do Amor, do prestigiado cineasta chinês Zhang Yimou, o diretor de Lanternas Vermelhas e O Clã das Adagas Voadoras.

Ambos têm ação deflagrada no início dos anos 1970, quando a Grande Revolução Cultural Proletária de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, em 1949, ainda mostrava as garras e assim permaneceria até a sua morte (que deu início a outro processo histórico, comandado por Deng Xiaoping), em 1976, embora fosse oficialmente encerrada em 1969.

O Último Dançarino de Mao - pontocedecinema.blog.br

O Último Dançarino de Mao, de Bruce Beresford

A Revolução Cultural foi empreendida pelo “grande timoneiro” chinês, a partir de 1966, para alavancar sua força política em baixa desde o fracasso completo do plano econômico O Grande Salto Adiante, de 1958 a 1960, que levou à morte, por causa da fome, milhões de camponeses.

Na época celebrada por intelectuais do porte de Jean-Paul Sartre, a revolução teve o Livro Vermelho como um dos instrumentos de mobilização das massas em um processo de desenvolvimento de culto à personalidade de Mao Tsé-Tung.

Tempo de varredura, de perseguição empreendida pela Guarda Vermelha, formada por jovens recrutados dos mais diversos setores do país para resguardar o governo, implacavelmente, de todos aqueles, sejam intelectuais ou não, que, um pouco mais próximos do Ocidente e da União Soviética, não se alinhavam ao regime e ao pensamento de Mao.

O Último Dançarino de Mao e A Árvore do Amor revelam pequenas facetas de períodos conturbados vividos pela China, no século XX, tema que também entra como pano de fundo de grandes filmes, como O Último Imperador, em que Bertolucci acompanha a trajetória de Pu Yi, coroado imperador da china em 1908, e Adeus, Minha Concubina, de Chen Kaige, a história de dois garotos apanhados nas ruas nos anos 1920 e forjados protagonistas da grande Ópera de Pequim. Ambos com desdobramentos históricos que culminam, respectivamente, antes e no período imediatamente posterior à Revolução de Mao.