Panorâmica no CineFuturo 4: festival celebra cinema-pegadinha do pernambucano Marcelo Pedroso

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Câmera Escura, do pernambucano Marcelo Pedroso, foi escolhido pelo júri oficial como Melhor Curta Nacional

Contemplado com uma mostra especial e uma mesa de debates, o cinema experimental foi o destaque no encerramento do Festival CineFuturo – VIII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual com a premiação, na noite de quarta-feira, de Câmera Escura (25min), do pernambucano Marcelo Pedroso, escolhido pelo júri oficial como Melhor Curta Nacional.

Pedroso, diretor do longa Pacific (2009), em que se utiliza de material filmado – e autorizado para edição – por turistas durante um cruzeiro de Recife a Fernando de Noronha, agora partiu para um confronto direto com o objeto documentado e o público, diluindo a mínima noção de espetáculo que havia na apresentação daquelas imagens captadas por amadores.

Como em uma pegadinha de programas dominicais da televisão aberta, em Câmera Escura ele é visto no papel de mensageiro, ao entregar, em residências de classe média, uma caixa contendo uma câmera filmando e um um pequeno texto datilografado de autoria do cineasta experimental norte-americano Stan Brakhage, que expressa a preocupação com o olhar.

Volta depois para tentar recuperar o material deixado anonimamente com os residentes, um ou outro visto de relance e alguns que não são vistos; apenas ouvidos, através da porta que os separa da câmera.

Em momentos de humor absolutamente previsíveis, expressam apreensão quanto à ação à qual foram submetidos – seria uma bomba ou material para captação de informações sobre o casa e os moradores para um futuro sequestro?

Marcelo Pedroso vai também ao delegado, que certamente recebeu alguma caixa de moradores sobressaltados, para saber mais sobre a reação de seus atores sociais.

Produzido sem a menor preocupação estética, o filme se fecha como um cinema ‘in progress’ e nos abandona com uma grande interrogação: será que precisamos ainda inventar a roda, a bicicleta e o urinol de Duchamp?, perguntamos.

Eu havia dito desde o início da cobertura do festival, nas Panorâmicas no CineFuturo, que eventos como este nos encanta, nos chateia, nos surpreende. Já falei sobre o encanto e a surpresa. Câmera Escura foi um dos momentos chatos.

Veja os demais premiados:

Marcondes Dourado venceu na categoria Melhor Curta Baiano, com Dançando Mas Tô Andando (Ba, 13min);

Henrique Dantas recebeu duas menções honrosas do júri oficial e da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABVC) por Ser Tão Cinzento (Ba, 25 min);

Francisco Franco recebeu menção honrosa do júri oficial por Bomba (MG, 20 min);

Ceci Alves recebeu menção honrosa da ABCV por Da Alegria, do Mar e de Outras Coisas (Ba, 13 min).