Panorama Internacional Coisa de Cinema homenageia Carlos Reichenbach

Filme Demência - pontocedecinema.blog.br

Um dos mais importantes filmes de Reichenbach, Filme Demência será exibido no festival que acontece no final do mês

A morte de Carlos Reichenbach aos 67 anos, em junho do ano passado, causou grande impacto no meio cinematográfico brasileiro. Um dos mais importantes cineastas deste país, ele agora será homenageado na IX edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, com alguns de seus filmes ganhando primeira exibição, em cópias restauradas, durante o festival que acontece até 7 de novembro e movimenta Salvador e Cachoeira.

Diretor de Lilian M: Relatório Confidencial e Filme Demência, talvez seus melhores filmes, Carlão, como era carinhosamente chamado pelos amigos e colegas cinéfilos e cineastas, estreou na direção em 1967, com o curta Esta Rua Tão Augusta. Dirigiu mais de 20 filmes, teve muitos roteiros filmados, foi um notável diretor de fotografia e um cinéfilo de primeiro time, daqueles que não se contentavam em apenas ver bons filmes, mas descobrir e recomendar pérolas escondidas da cinematografia mundial.

Enfileirou-se com nomes como Rogério Sganzerla entre os criadores do Cinema Marginal, que surgiu no final dos anos 60 como uma reação explosiva aos anos de chumbo que o país vivia, sob a ditadura militar. Dois dos filmes mais representativos desta fase são A Margem, de Ozualdo Candeias, e O Bandido da Luz Vermelha, de Sganzerla.

Conhecido pela atuação na chamada Boca do Lixo de São Paulo, Carlão alternava produções de caráter autoral, como Lilian M, com fases mais populares, mas também inventivas, como a do período em que fez A Ilha dos Prazeres Proibidos, que teve mais de quatro milhões de espectadores, Sede de Amar, O Império do Desejo, O Paraíso Proibido e Amor, Palavra Prostituta.

Eram filmes, na maioria das vezes, tidos como de extremo mau gosto, mas, na verdade, avaliados de forma rasteira como, de resto, boa parte da produção erótica brasileira do final dos anos 70 e início dos 80.

Reichenbach, com seu olhar deslocado para questões políticas, chamava a atenção, ao lado de nomes como Jean Garrett, diretor de A Mulher Que Inventou o Amor. Mas, ao contrário deste, que enfrentou o ostracismo com o final das produções da Boca do Lixo, Carlão permaneceu com filmes como Anjos do Arrabalde, Alma Corsária e Falsa Loura.

Teve uma carreira inventiva, com filmes que retravam os dilemas do homem comum, do suburbano e do operariado brasileiro, particularmente de São Paulo, e as contradições políticas e sociais que marcaram o país do final dos anos 50 aos anos 2000. O que não é pouco.

Uma bela homenagem, portanto, promete o Panorama Internacional Coisa de Cinnema, que realiza ainda, em meio a uma vastíssima programação, oficinas de direção e crítica cinematográfica, mostra de filmes alemães e portugueses, exibição da cópia restaurada de A Grande Feira, um dos marcos do cinema baiano, além das competitivas de curtas e longas.