Oscar pode consagrar Alejandro Iñàrritu pelo segundo ano em meio a manifestações contra o racismo

 

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Iñàrritu e DiCaprio estão a um passo do Oscar Foto: 20th Century Fox/ Divulgação

Alejandro González Iñàrritu volta a ser um dos favoritos com o filme O Regresso, depois de ser o vencedor em 2015 com Birdman,  uma das grandes expectativas  em torno da cerimônia do Oscar, que acontece neste domingo, em Los Angeles, concentra-se nas manifestações em prol da diversidade.  No Brasil, as atenções voltam-se para O Menino e O Mundo, em Melhor Animação, que tem como favorito Divertida Mente.

Pelo segundo ano consecutivo, a maior festa da indústria do cinema e do entretenimento não indica artistas negros. E as manifestações contra o racismo, que em 2015 já foram intensas com a criação da hashtag #OscarSoWhite, ganharam mais consistência  com o boicote à cerimônia anunciado por diversos artistas, entre eles Will e Jada Pinkett Smith.

Chris Rock, comediante negro que retorna depois de apresentar a cerimônia em 2005,  estará numa saia-justa. Ele se manteve até então sem se manifestar em torno das discussões, mas acredita-se que, pelo seu estilo direto,  não terá dificuldades em encarar a questão da diversidade de frente, que este ano envolve também o lugar da mulher e de outras minorias em Hollywood.

Em evidência, nesse sentido, a não indicação de Carol, de Todd Haynes, um drama lésbico passado em Nova York nos anos 1950, para  Melhor Filme e Melhor Diretor. E a ausência de A Garota Dinamarquesa , a cinebiografia de Lili Elbe, primeira pessoa a ser submetida a uma cirurgia de mudança de sexo, na categoria principal.

O meio-campo está mais embolado  do que nunca. Que o diga Melhor Filme, que tem o superindicado  O Regresso em 12 categorias,  aparecendo como favorito, mas nem tanto.  Há controvérsias sobre se a Academia  de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estaria disposta a repetir os prêmios de 2015. Spotlight – Segredos Revelados, o drama sobre a investigação jornalística em torno dos padres pedófilos de Boston, com seis indicações, já esteve mais cotado, mas ainda é uma aposta.

Mad Max: Estrada da Fúria, concorrendo em 10 categorias, tem o mérito de ostentar, de forma explosiva, o talento do condutor da série, o australiano George Miller. Resta o apelo em torno da urgência e atualidade do tema em A Grande Aposta e Perdido em Marte. Mas surpresa mesmo seria se vencesse O Quarto de Jack, típica produção independente de estilo. Brooklin e Ponte dos Espiões, ao que parece, como se diz no jargão do Oscar, correm por fora.

Em Melhor Diretor, pensando-se na possibilidade de não repetir o Iñàrritu de 2015, as chances ficam entre Tom McCarthy, de Spotlight,  Adam McKay (A Grande Aposta) e Miller. Bryan Cranston está muito bem em Trumbo.  Michael Fassbender também como Steve Jobs. Matt Damon nem tanto assim em Perdido em Marte. E Eddie Redmayne repete-se em cacoetes em A Garota Dinamarquesa. Mas parece fato consumado que Leonardo DiCaprio vai receber  a estatueta , depois de quatro indicações como ator.

Para Melhor Atriz, o prêmio deve ficar entre Cate Blanchett (Carol), Brie Larson (O Quarto de Jack) e Jennifer Lawrence (Joy), já que Charlotte Rampling (45 anos) perdeu em popularidade depois que se meteu na polêmica OscarSoWhite, dizendo que “talvez os negros não merecessem” estar entre os indicados.  Para Atriz Coadjuvante, as mais cotadas são Jennifer Jason Leigh, por Os 8 Odiados, Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Kate Winslet (Steve Jobs).

É certo que Sylvester Stallone vai levar Melhor Coadjuvante por Creed: Nascido Para Lutar. Filme estrangeiro deve ir para O Filho de Saul, do húngaro László Nemes.  Emmanuel  Lubezki  pode faturar Melhor Fotografia pela terceira vez seguida com O Regresso.  E  O Oscar 2016 terá transmissão direta pelo canal fechado TNT e no Youtube, que começa com o tapete vermelho a partir das 20h30, e pela Globo, logo depois do Big Brother.