Os Miseráveis decepciona e O Lado Bom da Vida tem seus méritos em semana com ‘Mautner, filho do Holocausto’

Os Miseráveis - pontocedecinema.blog.br

Hugh Jackmann interpreta o clássico Jean Viljean, o homem que pena a vida inteira por roubar um pão em Os Miseráveis

Último final de semana antes do carnaval, é para se encharcar de cinema. Primeiro, aos dois candidatos ao Oscar que estreiam: Os Miseráveis, de Tom Hooper, que concorre a oito estatuetas, e O Lado Bom da Vida, de David O. Russel, com o mesmo número de indicações, são um tanto quanto decepcionantes.

O biscoito fino da semana pode ser Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, documentário de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt, que ainda não vi, sobre a trajetória do bardo de 72 anos de idade, filho de mãe iugoslava e pai austríaco, que nasceu no Brasil logo em seguida à chegada dos pais que fugiram do terror nazista.

Os Miseráveis não chega aos pés de O Discurso do Rei, filme anterior de Tom Hooper, que ganhou quatro Oscar e ao menos esnobava charme narrativo e uma tentativa de imitar à altura o cinema de sombra de Kurosawa, ao abordar a relação do rei George VI da Inglaterra com o seu duplo, o fonoaudiólogo contratado para ajudá-lo a vencer a gagueira.

Inspirado na obra-prima de Victor Hugo, Os Miseráveis é um pálido reflexo do que já foi o filme musical. Longo, com pouca habilidade narrativa, claudicante (entre o melodrama e o fundo político e social), só nos resta contar com o esforço dos atores para não vê-lo mergulhar em poço tão fundo quanto aquele imposto a Jean Viljean, condenado a uma vida de perseguição por ter roubado um pão para alimentar a irmã faminta.

O Lado Bom da Vida - ponrtocedecinema.blog.br

Jennifer Lawrence e Bradley Cooper em O Lado Bom da Vida: boa comédia que se perde do meio para o fim

Melhor é O Lado Bom da Vida, um David O. Russel menos inspirado que em O Vencedor, filme que explorava as relações familiares explosivas em torno da carreira ascendente de um irmão boxeador e do outro que já teve seus dias de glória, mas hoje vive em um terreno mítico de lutador que um dia enfrentou o campeão mundial Sugar Ray Leonard.

Admirável mesmo aquele filme, assim assim retomado em O Lado Bom da Vida, que exibe núcleo familiar um quanto desconcertado de pai, mãe e o filho que, depois de fazer tanta besteira, deixa hospital psiquiátrico e quer a todo custo reatar com a mulher de quem é obrigado a guardar distância.

Câmera nervosa acompanha o não menos impetuoso Pat, em interpretação bem legal de Bradley Cooper, que nos deixa sempre suspensos, entre o riso meio solto e a expectativa de uma tragédia. Ainda mais quando Pat encontra Tiffany, uma jovem viúva que tenta evitar ao máximo.

Incrivelmente mais louca, Tiffanny parece ser um garota feita exclusivamente para Pat. Me lembrei de Um Casal Perfeito, de Robert Altman. Queria rever. Mas aqui os caminhos são outros, para não dizer opostos. Delicioso o encontro dos dois. O filme continua ótimo, mas vai se perdendo, pouco a pouco, à medida que Pat e Tiffany vão se acertando. Para usar um clichê mesmo: faltam artimanhas de roteiro e direção para acompanhar a química entre os dois. E isso em comédia romântica é um desastre.

O tom dramático melodioso que caracteriza comédias do tipo, depois das providencias brigas de gato e rato entre o casal destinado a se acertar, é que é pífio. Não é culpa dos atores. O lado bom é que Jennifer Lawrence também está legal em um filme de notável presença dramática, sobretudo dos veteranos Robert De Niro e Jacki Weaver no papel dos pais de Pat. Como já mostrou em O Vencedor, Russel é um ótimo diretor de atores.

Caça aos Gângsteres, de Ruben Fleischer, pode ser uma boa surpresa. Não deixe de ver também Infância Clandestina, de Benjamín Ávila, e, entre as pré, Além das Montanhas, de Cristian Mungiu, cineasta romeno palmarizado, querido de 10 entre 10 cinéfilos-cabeça.

#Leia a seguir as sinopses, conforme enviadas pelos exibidores, e veja os trailers dos filmes. Para saber mais sobre as estreias e pré-estreias, os filmes que continuam em cartaz, exibições e mostras especiais, além do horário, consulte Em cartaz, ao lado.

ESTREIAS

CAÇA AOS GÂNGSTERES (The Gangster Squad)
De Ruben Fleischer. EUA, 2012. Los Angeles, final da década de 1940. 16 anos. Com Sean Penn, Ryan Gosling, Josh Brolin, Emma Stone, Nick Nolte e Giovanni Ribisi. Mickey Cohen (Sean Penn) é um dos líderes da máfia do Brooklyn. Quando ele decide expandir suas atividades pelo oeste dos Estados Unidos, um grupo especial da polícia, o Gangster Squad, é encarregado de capturá-lo. O filme conta com Sean Penn, Ryan Gosling, Josh Brolin, Emma Stone, Nick Nolte, e Giovanni Ribisi nos papéis principais.

INFÂNCIA CLANDESTINA (Infancia Clandestina)
De Benjamín Ávila. Argentina/ Espanha/ Brasil, 2012. 14 anos. Com Natália Oreiro, Teo Gutiérrez Romero, Benjamín Ávila, Ernesto Alterio e César Troncoso. Argentina, 1979. Juan é um menino de 12 anos, filho de revolucionários do movimento Montoneros, que enfim deixa o exílio no Brasil e retorna a seu país natal, oprimido pela ditadura. Em seu novo lar, poderá conviver novamente com seus pais e seu grande amigo, o tio Beto. Para tanto, no entanto, Juan terá de adotar um novo nome: Ernesto, nome de batismo de seu ídolo, Che Guevara.

JORGE MAUTNER – O FILHO DO HOLOCAUSTO
De Pedro Bial. Brasil, 2011. Documentário. 10 anos. Com a participação de Amora Mautner, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Mautner. O documentário O Filho do Holocausto traz à luz a vida e obra de Jorge Mautner. Filho de refugiados europeus (um judeu austríaco e uma católica iugoslava), ele aprendeu apenas três acordes e realizou uma importante obra, que transcendeu o campo musical e foi reverenciada por importantes nomes da cultura nacional, como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

O LADO BOM DA VIDA (Silver Linings Playbook)
De David O. Russell. EUA, 2012. 14 anos. Com Bradley Cooper. Homem tenta reconquistar sua esposa após evento traumático, mas seus planos mudam ao conhecer Tiffany. Deste encontro, surge uma nova oportunidade de ser feliz. Oscar 2013: 8 indicações, incluindo Melhor filme e direção.

OS MISERÁVEIS (Les Misérables)
De Tom Hooper. Reino Unido, 2012. 10 anos. Com Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Sacha Baron Cohen, Taylor Swift e Samantha Barks. Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe). Indicado ao Oscar 2013.

PRÉ-ESTREIAS

ALÉM DAS MONTANHAS (Dupa Dealuri)
De Cristian Mungiu. Romênia/ Bélgica/ França, 2012. Drama. 12 anos. Com Cosmina Stratan, Cristina Flutur, Valeriu Andriuta, Dana Tapalaga. O reencontro de duas jovens, que se amaram enquanto foram criadas num orfanato, choca com os valores do cristianismo ortodoxo na clausura de um mosteiro. Festival de Cannes 2012: Prêmios de Melhor Atriz (Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro.

AS AVENTURAS DE TADEO EM 3D (Las Aventuras de Tadeo Jones)
De Enrique Gato. Espanha, 2012. Livre. Tadeo (Óscar Barberán) é um trabalhador simples, mas de espírito aventureiro e sonhador, que vive em Chicago. Um dia, ele é confundido com um arqueólogo bastante conhecido e, por causa disto, é enviado para uma expedição no Peru. Lá ele precisa enfrentar uma organização criminosa que, especializada em roubar tesouros, deseja agora saquear uma mítica cidade inca que acaba de ser descoberta. Para impedir que isto aconteça, Tadeo conta com a ajuda de seu fiel cachorro Jeff, a professora de arqueologia Sara (Michelle Jenner) e o guia Freddy (José Mota).