Confira: os 10 melhores filmes de 2011

A Pele que Habito - pontocedecinema.blog.br

Elena Anaya no papel de Vera, e vestida por Gaultier, em A Pele que Habito, o filme de maior impacto do ano

De fato, e como consequência de ter visto tantos filmes, não dá para finalizar o ano sem pensar nos melhores. Compartilho aqui a minha preferência, escolhidos os títulos entre os lançados comercialmente em Salvador, lembrando que toda lista tem seus pecados. A nossa, então, vários. Mas acredito que perdoáveis. Vale muito pelo prazer da discussão, pela exposição de ideias e pelo estímulo ao espírito crítico.

1. A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar
É o resgate do sentimento mais profundo de Vera/ Vicente (Elena Anaya/ Jan Cornet), a criatura mantida em cativeiro no laboratório pelo médico Robert Ledgard (Antonio Banderas), que finalmente vai nortear, como vingança, esse drama bizarro, pesado, profundo e surpreendente que se define, afinal, como um melodrama brilhante de Pedro Almodóvar. Leia mais

2. Melancolia, de Lars von Trier
Subvertendo a lógica dialética, Trier nos apresenta primeiro a síntese, que retornará, efetivamente, no grand finale. E começa a desenvolver sua narrativa simétrica, desenhando um mundo em transformação contendo as irmãs Justine e Claire (Kirsten Dustin e Charlote Gainsbourg), que a um só tempo se opõem e se complementam, como polos em um universo de coisas e seres que se dissolvem, lentamente, enquanto se instauram a angústia e a perplexidade. Leia mais

3. Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami
O cineasta iraniano segue tão silenciosamente e explosivo quanto Antonioni. E nele, o artista, também está instalada uma crise, que não é apenas a dos casais de O Ano Passado em Marienbad , de Resnais, e A Noite (Antonioni). Mas uma crise de identidade em torno de questões concernentes à autenticidade de sua própria obra de arte, Cópia Fiel, e mesmo de todos nós, humanos, não mais indivisíveis. Leia mais

4. A Árvore da Vida, de Terrence Malick
O mínimo seria o início, a formação, que tem a ver com o núcleo familiar de pai, mãe e três filhos retratados no filme, que, a partir de então, se estende a uma tentativa de compreensão do universo e da existência do homem na terra, o máximo. Aliás, em tudo pode existir o mínimo e o máximo, norteados por duas forças definidas como a natureza e a graça que são, na realidade, dois caminhos opostos, para escolher e seguir. Leia mais

5. Tetro, de Francis Coppola
Cidadão Kane, de Orson Welles, sinalizava para a impossibilidade de conhecer o outro plenamente. O filme é o tempo todo isso: a investigação sobre o que foi a vida de Kane, na realidade, indecifrável. Coppola, por outro caminho, em Tetro, convida logo de início a desatar esses nós que embaçam o homem. A descida à Patagônia, provocada pelo irmão mais novo, onde todos os segredos se revelam, explode na tela, em clarões de paisagem, numa sequência admirável, em um filme dominado pela chama criativa da arte e do conhecimento. Leia mais

6. Meia-noite em Paris, de Woody Allen
Nada se compara ao encontro de  Buñuel com Gil Pierce, que, em referência ao antológico O Anjo Exterminador (1962), sugere ao cineasta espanhol que faça um filme sobre um grupo de amigos que não conseguem sair da casa onde participam de uma festa. Em um ímpeto,  Allen despeja a referência básica, seja ela temática ou estética, de Meia-Noite em Paris: o surrelismo do mestre insurreto de filmes como O Fantasma da Liberdade, e seu humor corrosivo, que desanca o mundo de aparências, modismos e convenções contra o qual o desajeitado Gil Pendler, afinal e a sua maneira, não mede bala. Leia mais

7. O Garoto da Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Ladrões de Bicicletas é marcado por uma iniciação e um rito de passagem dolorosos pela infância. Uma experiência, enfim, semelhante à de Cyril (Thomas Doret), o garoto obstinado do filme dos irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne, que quer reaver sua bicicleta e reencontrar o pai que o abandonou. É uma metáfora, então, essa busca que se resume numa procura por sentido e direção, que ele só vai ganhar quando se deparar com a cabeleireira Samantha, interpretada por Cécile de France. Leia mais

8. Poesia, de Lee Chang-Dong
Vejo aqui uma certa influência do Kurosawa de Madadayo, canto de cisne do mestre japonês, e Viver, que acompanham a trajetória de homens que vivem ou pensam viver o seu apagar das luzes. Mas me lembro, sobretudo, de Qiu Ju, a maravilhosa personagem de um dos filmes mais esquecidos do chinês Zhang Yimou, A História de Qiu Ju, e a sua determinação em buscar, nas diversas instâncias, punição para o homem que humilhou o seu marido. Leia mais

9. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul
É um canto triste e suave que vai buscar referências na beleza plástica do cinema de nomes como Kenji Mizoguchi, o extraordinário diretor japonês de Os Contos da Lua Vaga, O Intendente Sancho e A Vida de Oharu. O caminhar é lento, fantasmagórico, pleno de sensualidade e mistérios que se tornam sondáveis naquele ambiente bucólico de uma floresta para onde o Tio Boonmee do título parte, na companhia dos que lhe são caros, para passar os últimos dias de sua vida. Leia mais

10. O Vencedor, de David O. Russel
Ao contar a história de Micky Ward (Mark Wahlberg), o lutador que tem a carreira e o brilho de certa forma empanados pela mitologia que cerca o irmão mais velho, Dicky Ecklund (Christian Bale), que chegou ao auge ao enfrentar o campeão de boxe Sugar Ray Leonard e hoje é um drogado, David O. Russell retoma aquele halo familiar de relações próximas, complexas e determinantes, importante na resolução de todas as coisas, presente em Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, e o devolve em um outro registro. Leia mais