Cineasta francês Olivier Assayas opõe mundo físico ao espiritual em Personal Shopper

Filme premiado pela Direção em Cannes estreia em Salvador depois de semanas exibido em ‘première’

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Kristen Stewart é Mauree em Personal Shopper: entre o real e o virtual Foto: Divulgação

É preciso muita invenção para não ficar no lugar-comum em um thriller que se calca em influências de Hitchcock. A prerrogativa não é de M. Night Shyamalan, com Fragmentado,  mas de Olivier Assayas em Personal Shopper.

O filme lida com o sobrenatural, e  o faz com uma camada sutil de humor aliada a irreverência ao expor a presença  de Maureen (Kristen Stewart), uma dublê de médium e personal shopper de uma celebridade em Paris que não pode ir às lojas fazer compras.

Assayas opõe o espaço físico ao espiritual, aos quais Maureen está presa como um corpo estranho, que parecem se transfigurar em real e virtual com a entrada de um celular em cena. Seria possível então a tão esperada manifestação do irmão gêmeo morto da garota?

Há como se  ver os contornos da menina possuída e do vômito verde em O Exorcista (William Friedkin, 1973) nas formações fantasmagóricas do filme. Há ainda indícios de A Dama Oculta (1938), Pacto Sinistro (1951) e Cortina Rasgada (1966) na viagem de trem a Londres.

Trama Macabra (1976), último filme do mestre do suspense, tinha também um frisson sobrenatural. Mas nada tão hitchcockiano, em Personal Shopper, quanto o momento que remete ao assassinato não-revelado e à sequência da feira livre em Frenesi, de 1972, bem como ao último plano que acompanha Jeanne Moreau em A Noiva Estava de Preto (1968), de Truffaut.

A câmera recua de um crime e mostra o movimento na rua delimitado pelas divisões da porta automática do saguão de um hotel.  O filme de Assayas está chegando ao fim.  Dois mundos estão expostos. Será que há conciliação possível?