O ‘segredo sagrado’ de André Luiz Oliveira tem data de estreia marcada para 3 de agosto

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Sagrado Segredo, novo longa do baiano André Luiz Oliveira, estreia em Salvador, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro

Diretor do cultuado Meteorango Kid – O Herói Intergalático, o cineasta baiano André Luiz Oliveira está com novo longa em lançamento. Sagrado Segredo tem pré-estreia marcada para o dia 1 de agosto, às 21 horas, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, em Salvador, com estreia prevista para o dia 3, além da capital baiana, em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde as pré estão agendadas, respectivamente, para 28, 30 e 31 de julho.

André Luiz é o que se poderia chamar de cineasta bissexto. Além de Sagrado Segredo e Meteorango, de 1969, típico exemplar do Cinema Marginal brasileiro, vencedor do Prêmio Especial do Júri do V Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizou apenas mais dois longas-metragens:

A Lenda de Ubirajara (1975), bela adaptação do romance Ubirajara, de José de Alencar, vencedor de duas Corujas de Ouro e Prêmio Especial do Júri e Melhor Roteiro no VII Festival de Brasília, e Louco por Cinema, em 1996, que ganhou os seis principais prêmios do 27º Festival de Brasília e a estatueta de melhor diretor no 3º Festival de Cuiabá do Cinema Brasileiro.

Sagrado Segredo é um misto de ficção e documentário: de um lado o registro real da encenação da Via Sacra em Planaltina (Brasília); do outro, a ficção envolvendo uma equipe de filmagem em ação no Morro da Capelinha. Em um terceiro plano, a busca do diretor da equipe por um encontro com o Cristo vivo.

Assista ao trailer do filme.

Um exercício de metalinguagem, então, representado por Guilherme Reis, no papel do cineasta, André Amaro, Iara Pietricovsky, Renato Mattos e Ana Cristina. Com a participação do Grupo Via Sacra, de Planaltina, sob a direção de Preto Rezende, e do físico nuclear indiano Amit Goswami.

Sagrado Segredo, portanto, à primeira vista, tem tudo a ver com a obra de André Luiz. Quem conhece o trabalho do cineasta, também roteirista, músico e compositor atualmente radicado em Brasília, sabe quão cara é a reflexão em torno do fazer e do pensar o cinema na carreira desse artista baiano.

Sobretudo Loucos por Cinema, que reúne uma equipe em torno de uma produção cinematográfica realizada em um manicômio. E o próprio Meteorango Kid – em que há uma representação do Cristo crucificado na praia de Piatã -, que foi consequência de um sentimento juvenil diante de um estado de coisas que se agravavam.

Cinema Underground com influências notórias de O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, e feito quase ao mesmo tempo que Macunaíma (1969), o canto tropicalista de Joaquim Pedro de Andrade, com o qual também guarda alguma semelhança, Meteorango soprava aos quatro ventos um determinismo contracultural centrado nas idiossincrasias da província da Bahia.

Era um uivo, um grito de revolta feito com humor, poesia e escracho, que influenciou, de forma determinante, quase duas décadas depois, o notável Superoutro, de Edgard Navarro.

Bem-vindo, então, ao novo ‘segredo sagrado’ de André Luiz Oliveira, que, como indica a sinopse, conta a história de um cineasta encurralado entre a liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. O próprio André Luiz admite: trata-se de um filme autobiográfico