O movimento leve, colorido, flutuante e atemporal em La La Land, de Damien Chazalle

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Emma Stone e Ryan Gosling em La La Land: musical soma um sem-número de referências

Damien Chazelle quer abarcar um mundo com as mãos, e não apenas Los Angeles.

La La Land se constrói a partir de elementos aparentemente conflituosos como o jazz e o pop, e o musical, o drama e a comédia, embora o que importa é quase nada o humor e bem mais a evolução melódica dos personagens em cena.

O filme é o próprio musical clássico hollywoodiano (e suas variantes) reciclado ao absorver um sem-número de referências que vão de títulos como Nasce Uma  Estrela (1954) e Cinderela em Paris (1957) a New York, New York (1977) e O Fundo do Coração (1982), no que tem de especial em demarcar os encontros e desencontros de um casal.

É um drama intimista e ao mesmo tempo romântico, porque dá voz ao sonho e leva a duas soluções possíveis. Importa a popular briga de gato e rato, da tradição da screwball comedy no cinema,  para introduzir a relação  entre o pianista de jazz Sebastian e a garçonente aspirante a atriz Mia, que enfim se amam.

Do conflito do rapaz, que busca um lugar ao sol e vive a angústia pela falta de reconhecimento de sua arte, assim como a companheira, tira a necessidade de viver o futuro. O antigo e o moderno, o passado e o presente nunca estiveram tão intimamente ligados como em La La Land.

A tela que se abre lembrando o Cinemascope, o tradicional The End, as cores vivas que remetem ao technicolor original, a recorrente citação a Juventude Transviada e sua sequência no parque Griffith, conversíveis coloridos, carros modernos e celulares convivem muito bem no filme de Chazelle.

É por isso que os personagens de Ryan Gosling e Emma Stone muitas vezes pareçam recortes colados em cima de algo que já não mais existe.

Seria interessante saber o que o Jean-Luc Godard da primeira fase e  o Jacques Demy de Os Guarda-Chuvas do Amor (1963), Duas Garotas Românticas (1967) e Pele de Asno (1970) diriam desse movimento leve, colorido, flutuante e atemporal em La LaLand.