O Lincoln reflexivo de Spielberg e O Mestre turbulento de Thomas Anderson são as principais estreias da semana

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Sally Field, candidata ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, e Daniel Day-Lewis, que concorre a melhor ator: Lincoln

Superfavorito ao Oscar, com 12 indicações, Lincoln é um Steven Spielberg diferente, contido, reflexivo, depois do monumental e emocionante Cavalo de Guerra. É a principal estreia da semana, ao lado de O Mestre, que deu o prêmio de melhor direção a Paul Thomas Anderson e ator a Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, no Festival de Veneza, além de ser escolhido melhor filme do ano pela prestigiada revista inglesa Sight & Sound.

Lincoln concorre a melhor filme, diretor, ator (Daniel Day-Lewis), atriz coadjuvante (Sally Field), ator coadjuvante (Tommy Lee Jones), roteiro adaptado, fotografia, figurino, edição, trilha sonora, efeito sonoro e direção de arte. Foi preterido no Globo de Ouro, em que apenas Daniel Day-Lewis ganhou como ator, mas segue com fortes perspectivas para a premiação do Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, no dia 24 de fevereiro.

Spielberg não faz uma cinebiografia. Antes, concentra-se em um período axial da vida do presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, que, em 1865, ano em que acaba a Guerra Civil Americana, poucos meses antes de ser assassinado, empreende uma luta que enfim resulta na abolição da escravatura com a aprovação da 13ª emenda à Constituição, na Câmara dos Representantes.

Carregado, conduzido com mão pesada em suas duas horas e vinte e cinco minutos de duração, Lincoln, entretanto, não deixa de ser um filme digno. Com amplo domínio técnico, ao mesclar o momento político do presidente, e da nação, a sua vida particular, possibilitando um show de interpretação. Day-Lewis, Field e Lee Jones, que aparecem como favoritos ao Oscar, encontram um forte concorrente em O Mestre, com a indicação, nas mesmas categorias, de Phoenix (ator) e Hoffman e Amy Adams (ator e atriz coadjuvante).

O MESTRE

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Joaquim Phoenix, candidato ao Oscar de melhor ator, e Seymour Hoffman, que concorre a coadjuvante: O Mestre

Inspirado em L. Ron Hubbard, criador da cientologia, doutrina religiosa polêmica notabilizada pelo ator Tom Cruise, O Mestre acompanha a trajetória do marinheiro Freddie Quell (Poenix). Concentra-se no encontro com o cientista Lancaster Dodd (Hoffman), criador de uma seita chamada A Causa, que lhe oferece alento à vida errante de veterano da Segunda Guerra Mundial inadaptado ao convívio social.

O filme mostra dois atores em grande forma e tem como um dos principais destaques, além da habilidade narrativa, a capacidade incomum de produzir ideias a partir da conjugação de recursos fotográficos com a trilha sonora. E com razão um dos empregos do marinheiro é como fotógrafo. Um exemplo: pouco antes de conhecer Dodd, logo no início do filme, Quell é perseguido por um grupo depois de cometer um desatino.

Ele caminha na noite escura em que se ouve uma variação de som da trilha um tanto estranha de Jonny Greenwood, tendo à frente circulos desfocados de luzes, em sinalização à desorientação do personagem. Muda-se o foco, altera-se completamente o sentido, dá-se uma esperança a Quell: vemos um navio iluminado em festa, tocando um standard da canção norte-americana. Corte. Depois de uma noite no navio, ele conheçe Dodd, com quem sairá, e o grupo, em viagem para Nova York.

O Mestre vai se manter em uma linha meio vaga, a partir de então, que diz respeito à confiabilidade da seita e de seu criador. O mar, visto de cima do navio logo na abertura do filme, com a imagem sendo repetida como um leitmotiv, designa a natureza explosiva do marinheiro, compondo, com a embarcação, a grande metáfora da impressão de segurança e instabilidade que a relação entre os dois, e o que os circunda, produz.

#Leia a seguir as sinopses, conforme enviadas pelos exibidores, e veja os trailers dos filmes. Para saber mais sobre as estreias e pré-estreias, os filmes que continuam em cartaz, exibições e mostras especiais, além do horário, consulte Em cartaz, ao lado.

ESTREIAS

BÁRBARA (Barbara)
De Christian Petzold. Alemanha, 2012. Livre. Com Nina Hoss, Ronald Zehrfeld e Rainer Bock. Durante a Guerra Fria, médica da Alemanha Oriental é transferida, por motivos políticos, para uma cidade do interior e luta a todo custo para fugir com seu amante da Alemanha Ocidental. Vencedor do Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim 2012.

JOÃO E MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS 3D (Hanset and Gretel – Whitch Hunters)
De Tommy Wirkola. EUA, 2012. 14 anos. Com Jeremy Renner, Gemma Arterton e Famke Janssen. A história segue os passos dos personagens que ficaram conhecidos no Brasil como João e Maria. Quinze anos após o traumático incidente envolvendo uma casa feita de doces, Hansel e Gretel formam uma dupla de impecáveis caçadores de bruxas, que migram pelo mundo procurando e matando tais seres malignos.

LINCOLN (Linconl)
De Steven Spielberg. EUA, 2012. Drama. 12 anos. Com Daniel Day-Lewis , Sally Field, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt. Em um país dividido e varrido por fortes ventos de mudança, Lincoln segue estratégia para encerrar a guerra, unir o país e abolir a escravatura. Com coragem moral e determinação férrea de vencer, suas escolhas nesse momento crítico mudarão o destino das gerações futuras. Concorre a 12 Oscar: Melhor Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Trilha Sonora, Efeito Sonoro, Filme, Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante (Sally Field), Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Ator (Daniel Day-Lewis) e Direção de Arte. Globo de Ouro 2013: Prêmio Melhor Ator – Drama (Daniel Day-Lewis).

O MESTRE (The Master)
De Paul Thomas Anderson. EUA, 2012. 12 anos. Com Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix, Laura Dern. Após a Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell tenta reconstruir sua vida com sua mulher. Passa a sofrer com ataques de ansiedade e não consegue controlar seus impulsos sexuais até conhecer Lancaster Dodd, que ajuda o casal. Oscar 2013: Três indicações – Melhor Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e Atriz Coadjuvante (Amy Adams); Leão de Prata 2012: Prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza 2012 e prêmio de Melhor Ator (Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman).

O RESGATE (Stolen)
De Simon West. EUA, 2012. 14 anos. Com Nicolas Cage, Josh Lucas, Danny Huston, Malin Åkerman e Sami Gayle. Will Montgomery (Nicolas Cage) acaba de sair da prisão após ter cumprido pena por roubar 10 milhões de dólares. Ele decide celebrar sua liberdade com a filha, que não vê há oito anos. Mas seu antigo parceiro no crime (Josh Lucas), dado como morto por todos, reaparece e sequestra a garota, colocando-a no porta-malas de seu carro. Ele deseja justamente recuperar os 10 milhões que acredita ainda estar com Will. Tendo perdido todo esse dinheiro, Will tem que roubar um banco para conseguir a soma exigida, enquanto o detetive que o prendeu (Danny Huston) torna a buscá-lo.

PRÉ-ESTREIAS

ALÉM DAS MONTANHAS (Dupa Dealuri)
De Cristian Mungiu. Romênia/ Bélgica/ França, 2012. Drama. 12 anos. Com Cosmina Stratan, Cristina Flutur, Valeriu Andriuta, Dana Tapalaga. O reencontro de duas jovens, que se amaram enquanto foram criadas num orfanato, choca com os valores do cristianismo ortodoxo na clausura de um mosteiro. Festival de Cannes 2012: Prêmios de Melhor Atriz (Cosmina Stratan e Cristina Flutur) e Melhor Roteiro.

INFÂNCIA CLANDESTINA (Infancia Clandestina)
De Benjamín Ávila. Argentina/ Espanha/ Brasil, 2012. 14 anos. Com Natália Oreiro, Teo Gutiérrez Romero, Benjamín Ávila, Ernesto Alterio e César Troncoso. Argentina, 1979. Juan é um menino de 12 anos, filho de revolucionários do movimento Montoneros, que enfim deixa o exílio no Brasil e retorna a seu país natal, oprimido pela ditadura. Em seu novo lar, poderá conviver novamente com seus pais e seu grande amigo, o tio Beto. Para tanto, no entanto, Juan terá de adotar um novo nome: Ernesto, nome de batismo de seu ídolo, Che Guevara.