O Hobbit provoca sensação de que há tempo de sobra e pouco para contar até o resgate do tesouro de Thorin

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada - pontocedecinema.blog.br

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada: Freeman parece pouco à vontade no papel da criatura tarracuda de pés inchados

A estridência e o clima de obrigatoriedade que se criam em torno de obras como O Hobbit: Uma Jornada Inesperada demandam estudos. Mas, ok: não deixa de ser uma montanha russa, em que se lança com prazer, o filme que promete pôr em regimento mais uma vez tantos quantos se deliciaram com a saga O Senhor dos Anéis.

E novos cordeirinhos que agora têm a chance de ver nos cinemas o universo fantástico inventado pelo escritor britânico J.R.R Tolken na primeira metade do século 20 e recriado pelo cineasta neozelandês Peter Jackson no início do século 21.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada inicia trilogia de US$ 1 bilhão, que prossegue com o lançamento do segundo ato (O Hobbit: A Desolação de Smaug) a ser lançado em dezembro de 2013 e o terceiro (O Hobbit: Lá e de Volta Outra Vez), em julho de 2014.

Até lá, uma grande perspectiva: superar os três primeiros filmes, orçados em ínfimos US$ 190 milhões, que renderam nada menos que US$ 3 bilhões e 17 Oscars. Mas, como se diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar…

Entre acertos e desacertos com a produção – Jacksaon se afastou e reassumiu o filme, depois da desistência de Guillermo del Toro -, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é um déjà vu com anões, elfos, orcs, trolls, além do hobbit Bilbo Bolseiro, interpretado por Martin Freeman, envolvidos em uma trama em torno da usurpação do trono de Erebor pelo dragão Smaug.

São 169 minutos de diversão, que em boa parte garantem o humor, a capacidade de envolver o espectador sucessivamente com novas situações de perigo, à maneira da proposta de reinvenção do cinema clássico do tipo, iniciada em 1977 por George Lucas com Guerra nas Estrelas e, sobretudo, Steven Spilberg, em 1981, com Os Caçadores da Arca Perdida.

Mas o problema desse novo filme de Jackson é Freeman subaproveitado como protagonista. Problemas com o ator ou de direção e criação do roteiro, poucos são os momentos de inventividade vividos por ele no papel da criatura simples, mas cheia de graça (ao menos é o que se esperava), arrancada de seu ambiente natural para ajudar os anões na reconquista do reino.

Até o que seria o grande momento do filme, traduzido no encontro com o estranhíssimo Gollum em um jogo de adivinhação bem interessante, é enfraquecido por uma montagem simultânea que resolve privilegiar mais uma das inúmeras cenas de batalhas de O Hobbit.

Parece que vai faltando gás, à proporção que se aproxima o final. E O Hobbit: Uma Jornada Inesperada provoca a sensação de que há tempo de sobra e pouco para contar até o resgate do tesouro da família de Thorin.