Cineasta italiano Nanni Moretti revisita traumas de todos nós em Mia Madre

 

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Margherita Buy e John Turturro em Mia Madre: um Nanni Moretti em grande estilo Foto: Divulgação

Nanni Moretti já foi premiado duas vezes no Festival de Cannes. Ganhou melhor direção por Caro Diário, em 1994, e em 2001 levou a Palma de Ouro com o filme O Quarto do Filho.

É sempre lembrado por sua verve humorística, crítica e autobiográfica, que ressoa, sobretudo, no primeiro e em Aprile (1998), espécie de continuação daquele momento de imersão nos traumas do cineasta.

Em Mia Madre, aplaudido em Cannes e agora eleito Melhor Filme de 2015 pela Cahiers du Cinéma, Moretti também está no elenco como Giovanni, irmão da cineasta Margherita (Margherita Buy), mas desta vez o personagem não é o alter ego do diretor. A mulher, aqui, é o centro das atenções.

Humor – Em meio a uma nova produção, a cineasta tem que lidar com a doença da mãe, Ada (Giulia Lazzarini), receber a filha adolescente, fruto de um casamento desfeito, enfrentar o fim de um relacionamento amoroso e os maus bofes do ator Barry Huggins, vivido por um John Turturro inspirado, responsável em boa parte pelos momentos de humor que existem ali.

Com o filme, Moretti retoma o olhar voltado para o próprio universo, do qual supostamente se havia afastado a partir do comovente O Quarto do Filho.

Mas algo nos diz que a autorreferência continuou sendo a tônica em filmes como Habemus Papam (2011), que se concentra na história do sumo pontífice recém-eleito e em crise, que se recusa a saudar os fiéis do balcão dos seus aposentos, na Praça de São Pedro.

Reinvenção - Ele terá que passar por um processo de secularização nas ruas de Roma para tentar se reinventar em seu santuário, buscando na vida pregressa – o teatro, que abandonou por não saber atuar – o conforto para a sua alma.

Muitas vezes acusado de ególatra, em Mia Madre Moretti não apenas retoma o significado do seu cinema anterior a O Quarto do Filho, em que se ampara no humor e na própria angústia, mas amplia esse conceito de aflição na figura universal de Margherita, que é definida (assim como o papa) pelo receio, mas também pela esperança.