Melhor estreia da semana, O Som ao Redor expõe as vias abertas de uma grande cidade

O Som ao Redor - pontocedecinema.blog.br

A câmera percorre os prédios, os muros e as pessoas como se nos conduzisse por atalhos: o perigo avizinha

O Som ao Redor, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, é a grande estreia da semana. Coleciona elogios por onde passa e foi premiado em vários festivais, entre eles do Rio, Roterdã e Gramado, além da Mostra Internacional de São Paulo e o Panorama Internacional Coisa de Cinema.

O filme figurou na lista dos 10 melhores de 2012 do New York Times. Melhor senha não há: é para ver e rever, porque tudo ali tem que ser lido com extremo cuidado.

Há que se constatar não apenas uma linha narrativa, mas vários fios dramáticos que se cruzam, entrecortam formando uma teia de relações humanas em vias abertas e conflituosas de uma grande cidade.

Como não lembrar do maravilhoso Short Cuts – Cenas da Vida (1993), de Robert Altman? Também em O Som ao Redor, a câmera percorre os prédios, os muros e as pessoas como se nos conduzisse por atalhos.

Kleber Mendonça faz um alerta, desloca-se para o ‘entorno’, o ‘ao redor’. O som é uma metáfora: o perigo nos avizinha. E e o filme se fecha com um grande plano apontando para a infinitude da obra, em que o ruído, a explosão, sinaliza a tragédia.

Pra que falar mais de filmes?

Mas é bom ficar atento às outras estreias, que não são poucas, e a particularmente duas pré-estreias: Amor, de Michael Haneke, filme europeu que conseguiu cinco fortes indicações ao Oscar, e César Deve Morrer, dos fundamentais irmãos Paolo e Vittorio Taviani.

#Leia a seguir as sinopses, conforme enviadas pelos exibidores, e veja os trailers dos filmes. Para saber mais sobre as estreias e pré-estreias, os filmes que continuam em cartaz, exibições e mostras especiais, além do horário, consulte Em cartaz, ao lado.

ESTREIAS
A VIAGEM (Cloud Atlas)
De Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski. Alemanha e EUA, 2012. 16 anos. Com Tom Hanks, Susan Sarandon, Jim Sturgess, Halle Berry e Hugh Grant. Várias histórias em épocas diferentes, passado, presente e futuro, estão conectadas mostrando como um simples ato pode atravessar séculos e inspirar uma revolução. Os diretores da trilogia Matrix dirigem uma história épica através dos séculos com Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon e Hugh Grant.

HA HA HA (HaHaHa)
De Sang-soo Hong. Coreia do Sul, 2010. 12 anos. Com Yeo-jeong Yoon, Sang-kyung Kim e So-ri Moon. Dois amigos descobrem que, coincidentemente, estiveram na mesma cidade, na mesma data e com as mesmas pessoas. As memórias daquele verão acabam se misturando como um catálogo de recordações.

JACK REACHER – O ÚLTIMO TIRO (Jack Reacher)
De Christopher McQuarrie. EUA, 2012. 14 anos. Com Tom Cruise, Rosamund Pike, Robert Duvall, Richard Jenkins e David Oyelowo. Jack Reacher (Tom Cruise) é um militar veterano que tem suas férias interrompidas em Miami, quando vai ajudar a resolver um caso mal explicado em Indiana, onde um atirador abriu fogo contra cinco pessoas. Preso, o criminoso recusa-se a dar qualquer informação e apenas murmura a frase: “Traga Jack Reacher para mim”.

O SOM AO REDOR
De Kleber Mendonça Filho. Brasil, 2012. 16 anos. Com Irandhir Santos, Sebastião Formiga, Gustavo Jahn. A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão. Ao mesmo tempo, casada e mãe de duas crianças, Bia tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro de seu vizinho.

PARIS MANHATTAN (Paris Manhattan)
De Sophie Lellouche. França, 2012. 14 anos. Com Alice Taglioni, Patrick Bruel e Woody Allen. Alice, uma jovem solteira farmacêutica refugia-se em sua paixão por Woody Allen. Após seu encontro com Victor, as coisas começam a mudar em sua vida.

UMA FAMÍLIA EM APUROS (Parental Guidance)
De Andy Fickman. EUA, 2012. Com Bette Midler, Billy Crystal, Brad James, Dwayne Boyd, Gedde Watanabe, Jody Thompson, Joe Knezevich, Joshua Rush e Karan Kendrick. Quando Artie Decker (Billy Crystal) e sua esposa, Diane (Bette Midler), são deixados sozinhos para cuidar de seus netos, os antigos métodos de educação colidem com as técnicas modernas – sem punições e com total falta de diversão. Quando a família começa a ficar fora de controle, os avós passam a empregar algumas táticas inesperadas para conquistar os netos e ensiná-los a serem crianças.

PRÉ-ESTREIAS
AMOR (Amour)
De Michael Haneke. França/Alemanha/ Áustria, 2012. Drama. Livre. Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva e Isabelle Huppert. George e Anne são professores de música erudita que já passaram dos 80 anos. Um dia, Anne é vítima de um acidente e o amor que une este casal é posto à prova. Do mesmo diretor de A Fita Branca. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2012, indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 2013 e ao Oscar em cinco categorias: filme, diretor, atriz, roteiro original e filme estrangeiro.

BÁRBARA (Barbara)
De Christian Petzold. Alemanha, 2012. Livre. Com Nina Hoss, Ronald Zehrfeld e Rainer Bock. Durante a Guerra Fria, médica da Alemanha Oriental é transferida, por motivos políticos, para uma cidade do interior e luta a todo custo para fugir com seu amante da Alemanha Ocidental. Vencedor do Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim 2012.

CÉSAR DEVE MORRER (Cesar Deve Morire)
De Paolo e Vittorio Taviani. Itália, 2012. 12 anos. A cortina se fecha abruptamente por trás de César, Brutus e os outros personagens. Depois dos aplausos, os “atores”, todos presidiários de Roma, sentem-se orgulhosos e tocados. O paralelo entre esse drama clássico e o mundo de hoje mostra como a universalidade de Shakespeare ajuda os detentos a entenderem as próprias questões. Em 2012, vencedor do Urso de Ouro e do Prêmio Ecumênico do Júri no Festival de Berlim, e do David di Donatello Awards de Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Filme, Melhor Produtor e Melhor Som.

INFÂNCIA CLANDESTINA (Infancia Clandestina)
De Benjamín Ávila. Argentina/ Espanha/ Brasil, 2012. 14 anos. Com Natália Oreiro, Teo Gutiérrez Romero, Benjamín Ávila, Ernesto Alterio e César Troncoso. Argentina, 1979. Juan é um menino de 12 anos, filho de revolucionários do movimento Montoneros, que enfim deixa o exílio no Brasil e retorna a seu país natal, oprimido pela ditadura. Em seu novo lar, poderá conviver novamente com seus pais e seu grande amigo, o tio Beto. Para tanto, no entanto, Juan terá de adotar um novo nome: Ernesto, nome de batismo de seu ídolo, Che Guevara.