Madonna mergulha em um mundo de ‘brilho e bolha’ com natural exacerbação estilística

W. E. - O Romance do Século - pontocedecinema.blog.br

Andrea Riseborough (Wallis Simpson) e James d'Arcy (Edward VIII) em W. E. - O Romance do Século

Podem me bater, mas acho o novo filme de Madonna, W.E. – O Romance do Século, bem legal. É a principal estreia desta sexta-feira (9/3).

Centrado em um primeiro momento na Inglaterra dos anos 20 e 30 do século passado, o filme retrata o escandaloso caso de amor entre o rei Edward VIII com a americana Wallis Simpson, uma plebeia, por quem ele abdicou do trono.

Sim, aquela história que é tratada vagamente em O Discurso do Rei, o filme de Tom Hooper, que ganhou quatro Oscar no ano passado, com Colin Firth no papel do rei gago, George, que é praticamente obrigado a assumir o trono esnobado pelo irmão.

Ao mesmo tempo, W.E. retorna aos anos 90 para relatar uma outra história – de amor e obsessão: o caso de uma mulher insatisfeita no casamento que se envolve com o segurança da exposição do leilão de objetos que cercaram a vida de Wallis e Edward, o duque e a duquesa de Windsor.

Vaiado no Festival de Veneza do ano passado, desprezado pela crítica internacional, o melhor que se disse de W.E. – O Romance do Século até então é que é vazio e superficial. Bobagem.

Acho muito mais, um mergulho nas idiossincrasias da alta roda. Uma maneira particular de ver e sentir essas flutuações. Somente Madonna poderia fazer isso.

Há uma natural e bem posicionada exacerbação estilística, como se a diretora perseguisse o tempo todo aquele mundo de ‘brilho e bolha’ em que, além dos seres, pontificam utensílios, objetos, em um bailado de mãos, bebidas, taças, roupas, móveis e pratarias.

W.E. – O Romance do Século me lembrou Bom Dia, Tristeza, o vigoroso tratado sobre a superficialidade, sendo ele mesmo um filme superficial, baseado no romance de Françoise Sagan, com Deborah Kerr, David Niven e Jean Seberg, realizado por Otto Preminger em 1958.