Intocáveis, que abre festival de cinema francês, é antídoto para o politicamente correto

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Omar Sy (Driss) e Phillipe (Fançois Cluzet) no filme divertido dirigido por Olivier Nakache e Eric Toledano

Ainda sob os efeitos de um diálogo sem precedentes com a indústria norte-americana, ao sair como grande vencedor da última cerimônia do Oscar, com O Artista, de Michel Hazanavicius, o cinema francês lança mais um bólido de sucesso.

Trata-se de Intocáveis, uma comédia dramática que acumulou nove indicações ao César, é a maior bilheteria de um filme estrangeiro nos Estados Unidos em 2012 e levou aos cinemas mais de 20 milhões de pessoas no país de origem.

O filme, que estreia apenas em 31 de agosto, abre o Festival Varilux de Cinema em sessões para convidados em 33 cidades, nesta quarta-feira (15/8), e é o carro-chefe de uma programação que reúne 17 filmes, que vão do thriller à comédia, a serem vistos pelo público entre os próximos dias 17 e 23.

Beaseado na história real do milionário francês Philippe Pozzo di Borgo, que escreveu o livro O Segundo Suspiro, lançado no Brasil pela Intrínseca, e do argelino Abdel Sellou, autor de Você Mudou a Minha Vida (Ed. Record), não há como passar batido por Intocáveis, dirigido pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano.

Assista ao trailer de Intocáveis.

Sellou é Driss, interpretado por Omar Sy (que ganhou o César de melhor ator, batendo o Jean Dujardin de O Artista), jovem inescrupuloso e irresponsável, assaltante que acaba de passar seis meses na cadeia, é expulso de casa e chega à mansão de Phillipe (Fançois Cluzet) apenas para obter a assinatura comprovando que passou por uma seleção, o que o habilitará a receber o seguro-desemprego.

Mas o que ele menos espera é que será o escolhido de Phillipe, o milionário paralisado em consequência de um acidente que está cansado daquela vidinha absolutamente regrada com enfermeiros chatos e politicamente corretos.

Intocáveis não é um mero um discurso educativo e sentimental meio pastiche, já esgotado pelos dois Perfume de Mulher, tanto o italiano, de 1974, com Vittorio Gassman, dirigido por Dino Risi, como sua versão norte-americana, de 1992, de Martin Brest, com Al Pacino.

Sem pretensão a obra-prima, a dupla Nakache e Toledano foge de uma história meramente edificante, ao driblar uma montanha de clichês (que de fato abundam) e fazer de Intocáveis um filme que arranca humor absolutamente centrado em pontos absurdos e discordantes.

Com observações pragmáticas sobre comportamento, origem, classe social, cor da pele e gosto, sobretudo o musical – reunindo uma trilha sonora que vai de Earth wind and Fire a Berlioz, Intocáveis, sem se dar ao luxo de ser anticonvencional, é um antídoto contra a caretice e o politicamente correto.

Para mais informações sobre os filmes, programação e locais de exibição (inclusive em Salvador, na SaladeArte-Cinema do Museu e no Espaço Unibanco Glauber Rocha) acesse o site do Festival Varilux de Cinema.