Frank Sinatra: mostra com seis filmes na Sala Walter

 

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Sinatra, ao lado de Montgomery Clift, em A Um Passo da Eternidade Foto: Divulgação

Old Blue Eyes, The Voice, The Chairman of the Board, não eram poucos os apelidos de Francis Albert Sinatra, nascido em Hoboken, em Nova Jersey, que morreu em 14 maio de 1998 e no último dia 12 completaria 100 anos.

Muitas também eram as lendas que cercavam um dos maiores mitos da canção no século 20. Notabilizado como ator em mais de 60 filmes, dirigiu apenas um – Os Bravos Morrem Lutando, em 1965 – e ganhou o Oscar de Melhor  Coadjuvante no papel do temperamental soldado Angelo Maggio de A Um Passo da Eternidade (1953), de Fred Zinnemann.

O filme, o mais conhecido da carreira de Sinatra,  aquele que exibe a antológica sequência do beijo entre Burt Lancaster e Deborah Kerr em uma pequena praia do Havaí, compõe a Mostra Frank Sinatra, 100 Anos Depois, em cartaz na Sala Walter da Silveira de 4 a 13 de janeiro, sempre às 15 horas.

Foi um momento de virada na carreira de ator iniciada em 1941, sem grande repercussão – apesar dos notáveis Marujos do Amor (1945), de George Sidney, e Um Dia em Nova York (1949), de Stanley Donen e Gene Kelly.

Máfia

É fato que,  em baixa no início dos anos 1950, Sinatra convenceu o chefe da Columbia, Harry Cohn, de que poderia fazer o soldado, em A Um Passo da Eternidade. Ganhou pouco, mas valeu pelo Oscar, ao qual voltaria a concorrer por O Homem do Braço de Ouro (1955), de Otto Preminger.

É dessa época também a origem das especulações sobre o envolvimento do cantor com a Máfia, que teria dado a ele o papel no filme de Zinnemann. Ecos dessa história estão em O Poderoso Chefão (livro de Mario Puzo e filme de Francis Ford Coppola), na figura do cantor Johnny Fontana, que consegue a participação em um filme por interferência nada ortodoxa de Don Vito Corleone.

Na mostra da Walter pode ser conferido Tony Rome (1967) – uma de suas colaborações com o diretor Gordon Douglas nos anos 1960 (as outras foram Crime Sem Perdão e A Mulher de Pedra, ambos os filmes de 1968).

Em Meus Dois Carinhos (1957), novamente sob a direção de George Sidney, Sinatra atua com Rita Hayworth e Kim Novak, filme que lhe deu o Globo de Ouro de Melhor Ator/Comédia ou Musical. Uma das cenas memoráveis é quando ele conta The Lady is a Tramp. Faz um cantor  que namora Novak e seduz Hayworth, uma viúva rica, com interesses escusos.

Sinatra está ainda no tocante O Expresso do Von Rayan (1965), de Mark Robson, e em A Hora do Diabo (1961), de Mervyn LeRoy.  E no surpreendente thriller político Sob o Domínio do Mal (1962, de John Frankenheimer), em que vive um soldado atormentado que foi submetido a lavagem cerebral pelos chineses na Guerra da Coreia.

Marujos do Amor, Um Dia em Nova York, O Homem do Braço de Ouro, Alta Sociedade (1956, de Charles Walters), dentre outros filmes notáveis dos quais participou, não estão em exibição. São seis os filmes que compõem a mostra. Ainda assim,Frank Sinatra, 100 Anos Depois é um prêmio. Raro ver no cinema o talento de um dos artistas mais emblemáticos do século 20.

MOSTRA FRANK SINATRA, 100 ANOS DEPOIS
SALA WALTER DA SILVEIRA
4 A 13 DE JANEIRO, 15H
R$ 2,00 (PREÇO ÚNICO)