Cinema de formação, Jonas e o Circo Sem Lona marca a passagem de um garoto da infância à adolescência

 

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Jonas monta um circo no quintal se sua casa Foto: Divulgação

Um filme tranquilo e delicado, Jonas e o Circo Sem Lona parece mesmo o resultado de um sonho. Não apenas do menino Jonas Laborda, de 13 anos, que arma um picadeiro no quintal de sua casa em Dias d´Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, mas da diretora, Paula Gomes.

O documentário, que já rodou  (e foi premiado em) diversos festivais no Brasil e no mundo, tem na presença de Paula um balizador da vida do garoto, que está passando da infância à adolescência.

Ela será um vetor de propagação dos planos, buscando o registro simples,  mas em boa medida também será integrante desse desejo vivo que encanta e impacta a vida do garoto, seja em casa, com a mãe e a avó, ou na escola.

Coletivo
Tudo parece a realização de um projeto a partir de um trabalho conjunto. Ou não faria sentido algum o primeiro plano das formigas que aparecem sobre alguns pedaços de panos em Jonas e o Circo Sem Lona.

Um menino sobe no ombro do colega para esticar e amarrar a corda em uma estaca cravada no solo, outros serram a madeira ou cortam uma fita ou ainda brincam com aquilo que parece a estrutura de um pequeno carrossel.

Então preparada a infraestrutura com bilheteria, tendas, equipamento de som e que tais, é chegada a hora de ensaiar o espetáculo vislumbrando o momento de chegar ao (respeitável) público,  que enfim reflete a emoção coletiva.

A diretora já contou em entrevista que a ideia surgiu de uma viagem que fez em 2006 com sua equipe, o coletivo Plano 3 Filmes, para conhecer três circos itinerantes preparando as filmagens de um curta de ficção.  Acabou visitando 35 na Bahia e em Sergipe.

Foi quando conheceu Jonas, que era pequeno na época, sua mãe, Wilma, e a avó, Neide. Era uma família de circo, que abandonou o circo para morar perto de Salvador. O menino nunca se conformou.

Transformações
Uma criança chega à porta e pergunta se vai ter espetáculo. A mãe coa o café,  corta cebola, alimenta os animais. A avó varre o quintal. Tudo isso são como elementos de cena que contornam e dão vazão à labuta cotidiana do menino, que é muito mais do que o sonho de manter o próprio circo.

Jonas e o Circo Sem Lona fecha um ciclo. É um documentário de formação. Mas, antes de chegar lá, será obviamente um filme de transformações.  É esse o encanto.