A criatividade indomável dos Novos Baianos

Filhos de João - pontocedecinema.blog.br

Filmagens de Filhos de João, documentário que ganhou quatro prêmios no Festival de Brasília de 2009

Baby Consuelo não participa de Filhos de João: Admirável Mundo Novo Baiano, o documentário de Henrique Dantas sobre o grupo Novos Baianos. Ao final dos créditos, sobe a explicação: a cantora, hoje Baby do Brasil, gravou depoimento, mas não autorizou a utilização das declarações no corpo final da produção. Este foi um dos problemas enfrentados pelo cineasta que consumiu mais de uma década, entre pesquisa e produção, até o estágio atual de filme que estreia nacionalmente hoje (22/7).

Filhos de João, no entanto, nada perde ao resgatar a história do grupo que começou sua trajetória depois que Moraes Moreira e Galvão foram apresentados por Tom Zé, nos anos 1960, e que alcançou destaque a partir do momento em que outro baiano ilustre, João Gilberto, entrou na parada para transformar a cabeça dos garotos que tocavam rock e passaram, além de guitarras, a esquentar o pandeiro e o cavaquinho.

Filhos de João - pontocedecinema.blog.br

Henrique Dantas, o diretor do filme que estreia nesta sexta

O filme é um mosaico sobre um período da música brasileira, com depoimentos de Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor e um sem-número de novos baianos, alinhavados pela presença inestimável de Tom Zé, o tropicalista por natureza, que acende, com suas tiradas insólitas, ao mesmo tempo que geniais, a chama do humor, uma das faces do bando de malucos hippies que alegraram o Brasil careta dos anos 1960 e 1970 com músicas como Ferro na Boneca, Preta Pretinha e Acabou Chorare.

Henrique Dantas faz uma viagem no tempo para mostrar não apenas um período de extrema criatividade na música brasileira, com a passagem dos Novos Baianos pelo Rio de Janeiro e São Paulo, mas abre um catálogo sentimental de reminiscências sobre a velha Bahia daqueles anos de chumbo e de criatividade indomável representada ainda por filmes antológicos como Meteorango Kid – Herói Intergaláctico (1969), de André Luiz Oliveira, Caveira My Friend (1970), de Álvaro Guimarães, até chegar a Superoutro (1989), de Edgard Navarro.

Sobretudo Caveira My Friend, a crônica visual de Salvaador e sua juventude inquieta e revoltada, filme que se pensava perdido e foi recuperado e restaurado na primeira década dos anos 2000, que trazia à cena a música dos Novos Baiano e uma Bernadeth Dinorah atuando, em primeiros passos, como a inesquecível Baby Consuelo.