Festival também celebra o russo Sergei Eisenstein, criador da montagem dialética

O Encouraçado Potemkin - pontocedecinema.blog.br

Famosa sequência das Escadarias de Odessa em O Encouraçado Potemkin

A arte do russo Sergei Eisenstein (1898-1948), o notável criador da montagem dialética, que pode ser observada com mais rigor em O Encouraçado Potemkin, está em destaque também no Panorama Coisa de Cinema, com exibições em 35 milímetros. Além deste, constam na programação A Greve (1924), Outubro (1927), Que Viva o México (1931) e Ivan, O Terrível (1944).

Potemkim (1925) é o filme mais conhecido de Eisenstein. Muito falado também por causa do sucesso de Os Intocáveis (1987), de Brian De Palma, que recriou a famosa sequência das escadarias de Odessa, em que um carro de bebê escapa das mãos da mãe durante o tumulto verificado em consequência do levante ocorrido no navio.

Fez tanto sucesso que Eisenstein acabou indo para os Estados Unidos. Uma de suas tentativas no novo continente foi a filmagem de Uma Tragédia Americana, o romance de Theodore Dreiser, levado ao cinema pelo austríaco naturalizado norte-americano Josef von Sternberg e posteriormente por Gerorge Stevens (Um Lugar ao Sol, 1951).

Em associação com o produtor Upton Sinclair, o cineasta começou a fazer Que Viva o México. Chegou a rodar 60 mil metros de filme, mas não conseguiu voltar aos EUA, vendendo o material para outro produtor. A versão final do filme veio a partir de um trabalho de recuperação, nos anos 70, feito por Grigori Alexandrov, que havia trabalhado com ele nos anos 20.

A Greve (1924) mostra uma greve reprimida pela polícia em 1912. Em Outubro, Eisentein narra, como um documentário, os 10 dias que abalaram o mundo e antecederam a revolução de outubro de 1917. Finalmente, em exibição também um dos últimos filmes de Eisenstein, como quase todos os outros, obra-prima incontestável, Ivan, O Terrível, realizado em 1944, que acompanha a trajetória do arquiduque de Moscou, no século XVI.