Belens: discurso generoso no Curto Encontro

Fernando Belens – pontocedecinema.blog.br

Fernando Belens no Curto Encontro Foto:Caroline Paternostro

Homenageado da mostra Curto Encontro, cuja noite de premiação aconteceu no último domingo, na Sala Walter da Silveira, o cineasta Fernando Belens fez um discurso de agradecimento emocionado.

Belens está atualmente às voltas com a possibilidade de lançamento do longa Pau Brasil, filme de alto nível que revela um olhar arguto e sensível sobre a condição humana, para além do extrato social que retrata. O filme foi exibido na noite de ontem no Cine Cena Unijorge, integrando a programação do Cineclube Setaro.

Diretor de inúmeros curtas e médias-metragens, entre eles, Anil, Pixaim e Heteros – A Comédia, Belens, na realidade, foi despretensioso e citou um sem-número de amigos, cineastas, atores, artistas, críticos e estudiosos de cinema. Marcou a noite do Curto Encontro com um discurso poético e generoso que publico a seguir:

Eu não sou Fernando Belens
Por que:
Quando eu amo muito
Eu sou Dinorath do Valle e Luciano Floquet.
Quando eu sonho acordado
Sou Lumbra, sou Edgard Navarro, Pola Ribeiro e José Araripe.
Quando eu tenho fibra inquebrantável
Eu sou Guido Araujo.
Quando eu atravesso fronteiras
Sou Roland Schaffner, Jean-Claude Bernardet, Peter Przygodda e André
Bendocchi.
Quando eu penso na amizade mais profunda
Eu sou Laura Bezerra, Eliene Benício, Moises Augusto e Fafá Pimentel.
Quando eu penso em arte
Sou Moacyr Gramacho.
Quando eu ouço o mais belo som
Eu sou Nicollas Hallet e Bira Reis.
Quando eu estou iluminado
Sou Hamilton Oliveira.
Quando penso na estrada
Sou José Umberto, Roque Araújo, Tuna Espinheira, Chico Drumond,
Timo Andrade, Luís Motti, Cícero Bathomarco, Carlos Modesto, Edyalla
Iglesias, Sergio Machado, Geraldo Sarno, Henrique Andrade, Robson
Roberto, Orlando Senna, Roaleno Almeida, Silvio Tendler, Joel Almeida,
Ceci Alves e André Meteorango Kid.
Quando sou guerreiro
Eu sou Sylvia Abreu, Marise Berta, Dona Lucia Rocha, Conceição Senna,
Janete Miranda, Ana Rita Belens, Paula Gomes, Cleide Mercia e Detinha
de Xangô.
Quando quero colo
Sou Daniela Lanza.
Quando fico muito animado
Sou Caó, Alba e Chico Liberato.
Quando ando pelo Recôncavo
Eu sou Lu Cachoeira, Carine Araújo e o Prof. Raimundo.
Quando fico jovem
Sou Adler Paz, Paulo Alcântara, Henrique Dantas, Daniel Lisboa, Leo Kid
e Gabriel Teixeira.
Quando Organizo o Carnaval
Sou Jorge Alfredo, Walter Lima, Claudio Marques e Mateus Damasceno.
Quando viajo pelo Nordeste
Sou Umbelino Brasil.
Quando interpreto o mundo
Sou Bertand Duarte, Rita Assemany, Patrício Bisso, Fernanda Belling
e Paquelet, Milena Flick; mas também sou Osvaldinho Mil, Barbara
Suzarte, Humberto Dias, José Carlos Negão, Rita Santana, Edlo Mendes,
Narcival Rubens, Ednéas Santos, Irema Santos, Arany Santana e Yumara
Rodrigues.
Quando vejo o que ninguém viu
Sou André Setaro, Maria do Rosário Caetano, Ismail Xavier, Marcos Pierry
João Sampaio e Adalberto Meireles.
Quando vejo o mar
Sou Iemanjá.
Quando fico bravo
Sou Ogum.
Quando vejo a mata
Eu sou Oxossi.
Quando fico doce
Eu Sou Oxum.

Sou tantos e tantas, porque tenho a mais absoluta certeza que quando
estou só, eu não sou ninguém.

Mas saibam vocês que no dia inevitável, em que me transformarei em
poeira de estrelas, os meus átomos mais alucinados vão vagar pelas
trocentas dimensões do espaço-tempo e, certamente, vão encontrar Vito
Diniz, Agnaldo Siri Azevedo, Helio Silva, Carlos Vasconcelos, Carlos
Sampaio, Ângela José, Roberto Pires, Álvaro Guimarães, Luiz Orlando, e,
juntos, vamos aprontar todas, e, com certeza, vamos contribuir para criar
o novo Big Bang.