Duo de Clooney e Payne, Os Descendentes esbanja humor e naturalidade

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Pai e filhas, George Clooney, Shailene Woodley e Amara Miller, em busca de estabilidade: Os Descendentes

Não é apenas o drama familiar, ao estilo de vários que ganharam o Oscar, que salta aos olhos em Os Descendentes, filme que marca o retorno de Alexander Payne, oito anos depois de Sideways – Entre Umas e Outras, e concorre a cinco estatuetas: melhor filme, ator, diretor, edição e roteiro adaptado.

Isso e mais o fato de que o diretor, embora queira e realmente o faça, parece interessado em não realçar o peso que cai sobre os ombros do advogado Matt King, interpretado por George Clooney, quando se vê diante da mulher em coma, depois de um acidente de barco, e com duas filhas menores (que mal conhece) rebeldes.

É tocante o momento em que suplica para que a mulher não morra, sob promessas de que deixará de ser o pai ausente. Não há drama ou mal, ali, que o mostre aparentemente em grande aflição ou o desestabilize. Os Descendentes, não obstante o enfoque doloroso de um estágio terminal, esbanja naturalidade e humor.

Clooney, vencedor do Globo de Ouro e correndo em alta nas bolsas de aposta do Oscar, faz o personagem agir como se sempre tivesse a certeza de que o trauma é irreversível e a solução é ir à luta para, agora sim, reverter seu problema com as meninas.

Mesmo quando a filha mais velha revela uma das principais razões por que está revoltada, King apenas eleva um pouco o tom, vai atrás do homem com quem sua mulher o traía, apenas para conhecê-lo, dar conta de que a morte é iminente e fazê-lo despedir-se da amante, embora aquilo tudo lhe suba à cabeça como uma vontade de desferir-lhe um soco.

Obra madura, concisa, um verdadeiro pas de deux entre Payne e Clooney, mas em que um ampara o outro, sem distinção, não seria exagero pensar, sobretudo, nos prêmios de direção e atuação aos quais os dois concorrem e merecem.

O ato de colaboração diz sobre a real natureza do filme, que aponta para a necessidade de estabilidade emocional que Matt King procura para si e suas filhas e da qual estaria metaforicamente se desviando ao tentar vender a magnífica propriedade que ele, um dos descendentes, herdou.