
Antes de dirigir Aruanda, Linduarte Noronha foi repórter e crítico de cinema
Diretor do curta Aruanda (1960), um dos precursores do Cinema Novo, a morte de Linduarte Noronha, 81 anos, na madrugada de ontem, deixa comovidos cineastas, atores, críticos, produtores e demais representantes do cinema brasileiro. Nascido em Pernambuco, mas com carreira construída e solidificada na Paraíba, Noronha foi internado com pneumonia, na semana passada, em um hospital de João Pessoa, onde sofreu uma parada respiratória na madrugada de ontem.
“Aruanda está para o moderno cinema brasileiro como A Bagaceira, do também paraibano José Américo de Almeida, está para nosso modernismo literário. O Nordeste, sua realidade, seus mitos, texturas, asperezas, locações e personagens, abria passagem – em 1960 como em 1928, nos filmes como nos livros”, escreveu, em 2008, o crítico Amir Labaki, responsável pelo festival É Tudo Verdade, na época celebrando a contribuição de Linduarte Noronha ao marcar, com uma mostra, os 50 anos da reportagem que originou Aruanda, As Oleiras de Olho d’Água na Serra do Talhado, de 1958.
Também autor de O Salário da Morte, primeiro longa paraibano, realizado em 1971, Noronha foi repórter e crítico de cinema antes de dirigir Aruanda, que conta a história da fundação do quilombo Olho d’Água da Serra do Talhado, em meados do século XIX, pelo ex-madeireiro Zé Bento. E revisita um século depois a comunidade baseada numa produção que variava do plantio de algodão à cerâmica primitiva, conforme assinala logo no início do filme.
Entuasiasta da obra de Noronha, o baiano Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol) escreveu sobre o cineasta, no início dos anos 1960, em seu histórico Revisão Crítica do Cinema Brasileiro:
“Linduarte noronha é um repórter com ressonâncias de ensaísta. É um homem culto, trinta e dois anos, conhecedor do nordeste, sua literatura de ficação e sua tradição crítica. Da Paraíba, vizinho de Pernambuco, é naturalmente ligado às características da arte nordestina: da poesia de João Cabral-Joaquim Cardoso, do teatro Suassuna, da novelística Graciliano-José Lins do Rego. Aruanda tem a força dessas obras nordestinas e funda, trinta e cinco anos depois do ciclo cinematográfico de Pernambuco, de onde Aitaré da Praia ficou como lenda, a renascença do cinema nordestino”.
Acesse o link e assista ao curta Aruanda, de Linduarte Noronha.



