Todd Haynes redefine drama hollywoodiano com intensidade e sofisticação em Carol

pontocedecinema.blog.br

Blanchett e Mara vivem romance lésbico nos anos 50 em filme com seis indicações ao Oscar Foto: Divulgação

Carol mantém-se intacto em seu corte clássico, intenso e sofisticado ao abordar um romance proibido, de gestos mínimos, na Nova York da década de 1950, que poderia ser vivido tranquilamente por Audrey Hepburn e Joan Crowford.

Esquecido pelo Globo de Ouro, embora com o maior número de indicações da premiação, não seria necessário o aval da Academia de Hollywood, com o Oscar, para conferir-lhe valor, mas o filme concorre em seis categorias.

O filme é baseado no romance de 1952 da escritora  texana Patricia Highsmith (1921-1995), publicado sob o pseudônimo de Claire Morgan, originalmente, como O Preço do Sal.

No cinema de Todd Haynes, o encontro entre a vendedora de uma loja de departamentos, Therese Belivet (Rooney Mara), com a dona de casa mais velha e extremamente elegante, Carol Aird (Cate Blanchett), surge como uma redefinição do drama romântico-intimista hollywoodiano.

À semelhança de Ang Lee, que se apropriou do western norte-americano clássico em  O Segredo de Brokeback Montain (2005),ao buscar elementos referenciais no domínio do macho para explicitar o não-lugar dos cowboys gays no convívio social, Haynes delimita o espaço de Therese e Carol.

Não é à toa que a fotografia de Edward Lachman invoca a solidão na obra de Edward Hopper  em quadros que isolam as duas, como se demarcassem os limites daquela relação lésbica, com os espelhos e as linhas arquitetônicas das casas, dos quartos, cafés e restaurantes.

Acossada pelo marido que a chantageia ameaçando tomar a filha, Carol terá apenas uma alternativa, impensada para o Jack Twist e o  Ennis Del Mar de Ang Lee. Um gesto definitivo a liberta daquela prisão que se anuncia infinita.