Brooklin, de John Crowley, é um filme em linha reta sobre a incerteza, o impasse

Saoirse Ronan concorre ao Oscar de Melhor Atriz no papel de Eilis Lacey Foto: Divulgação

Um momento é importante para tentar entender a ação dos personagens e a narrativa sem grandes surpresas de Brooklin, de John Crowley, que causa algum estranhamento por estar entre os indicados ao Oscar – como Melhor Filme, Atriz (Saoirse Ronan) e Roteiro Adaptado (Nick Hornby, a partir do romance de Colm Tóibín).

A jovem Eilis Lacey (Ronan) está no navio para seguir rumo aos Estados Unidos, quando a mãe (Mary – Jane Brennan), em terra, sai de cena repentinamente, antes do último aceno. A garota tímida, sem perspectiva no emprego em uma pequena loja, parte da combalida Irlanda dos anos 1950 para a terra do sonho e da oportunidade.

O sonho amparado pelo esforço da  irmã (Rose – Fiona Glascot). A oportunidade representada pelo reverendo Flood (Jim Boadbent), que a acolhe em uma ação da igreja irlandesa no Brooklyn, e por Mrs. Kehoe (Julie Waters), que a hospeda em sua pensão para moças do programa religioso.

Brooklin, o filme, será assim todo feito de gestos mínimos como o da mãe, que, tão ausente, terá uma posição firme quando a filha mais nova retorna à Irlanda levada por uma tragédia na família.

Bem posicionada no Brooklyn, onde até arranjou um namorado (Tony – Emory Cohen) de origem italiana e casou, a agora decidida Eilis novamente estará meio embaraçada. Hesita entre voltar para o marido e permanecer em uma Irlanda já remediada, onde encontra nova colocação na vida profissional e um pretendente, o bem-sucedido Jim Farrell (Domhnall Gleeson).

Crowley ensaia uma evocação aos filmes do inglês David Lean (1908-1991), como A Filha de Ryan (1970) e Passagem para a Índia (1984), mas a partir de um certo momento tem um surto e decide ser um antilean.

Despreza a importância da emoção e dos subentendidos para fazer um filme um tanto superficial, em linha reta, mesmo que com algumas inserções sutis sobre o melting pot nova-iorquino e a incerteza, o impasse, que é um tema leaniano por excelência.