Billi Pig perde-se em emaranhado de situações pouco inspiradas e desperdiça talentos

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Selton Mello e Grazi Massafera, o casal de Billi Pig, filme de José Eduardo Belmonte

Autor de dramas fortes, com um viés existencial nada dispensável, como A Concepção, José Eduardo Belmonte investe em uma comédia de linha popular. Billi Pig, uma das principais estreias da semana no Brasil, procura seguir uma alternativa encontrada pelo cinema brasileiro.

A do filme que não se quer difícil, inacessível ao público médio de cinema, nem beócio, a ponto de retirar sua popularidade do riso fácil, de gosto duvidoso, amparado pela estética (e representação) televisiva.

O filme O Palhaço, de Selton Mello, é assumidamente um referencial para Billi Pig. Consegue equlibrar-se entre públicos diversos, resgatando clássicos da cultura popular como Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), que faz uma ponta no filme, e o Lindomar Castilho e o Nelson Ned de Eu Amo a Sua Mãe e Tudo Passará.

Em Billi Pig Belmonte nos coloca frente ao corretor de seguros e sua mulher, interpretados por Selton Mello e Grazi Massafera, um casal de suburbanos com problemas semelhantes a tantos outros, mas que se deixa amesquinhar além da conta.

Wanderley, o típico homem comum malsucedido; Marivalda, a dona de casa sonâmbula completamente desprovida de talento que quer ser atriz de sucesso e pouco ou nada sabe distinguir fantasia de realidade.

Marivalda tem um porquinho de brinquedo que a aconselha. É o tal Billi do título do filme. O biscuit vai ganhar importância fenomenal no decorrer da história que envolve ainda a ânsia do marido pelo sucesso da mulher e de sua pequena empresa de corretagem.

Ele vê no aperfeiçoamento de uma farsa a possibilidade de subir na vida ao promover o encontro do padre de araque, com fama de milagreiro, interpretado por Milton Gonçalves, e o quadrilheiro dono da boca do jogo do bicho, vivido por Otávio Müller, que está com a filha entre a vida e a morte, depois de ser baleada em um tiroteio.

Com muitas subtramas e reviravoltas, a história envolve ainda a dona de uma funerária e seu assistente, interpretados por Preta Gil e Milhem Cortaz, que não fazem muito sentido no contexto, e um ótimo elenco de apoio, que incluem nomes como Cassia Kiss, Sandra Pêra, Zezé Barbosa e Léa Garcia.

O filme perde-se em um emaranhado, desperdiçando talentos. Belmonte não consegue escapar de sua veia autoral, e Billi Pig, um filme desarticulado em seus trânsitos dramáticos, acaba ficando no meio de uma estrada que se abre em vários caminhos. Um deles é se valer de recursos televisivos dos quais, aparentetemente, procura se desvencilhar.