Bertolucci esculpe retrato do ultimo imperador chinês

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Pu Yi, declarado imperador da china aos três anos de idade, viveu uma vida de fantoche

Conhecido por obras-primas como A Estratégia da Aranha, O Conformista e O Último Tango em Paris, o italiano Bernardo Bertolucci mergulhou de vez no grande cinema internacional, nos anos 1980, ao transpor para a tela a história de Pu Yi, o último imperador da China, nomeado aos três anos de idade, em 1908, e que viveu uma vida de fantoche.

Com a determinação artística digna de um épico de David Lean, o diretor inglês de Lawrence da Arábia, Bertolucci acompanha essa trajetória do menino que permaneceu durante anos enclausurado na Cidade Proibida, tornou-se um playboy e voltou a sentar no trono (de 1934 a 1945), depois que o Japão invadiu a China e ocupou a Manchúria.

Quando os japonenses perderam a Segunda Guerra Mundial, a Manchúria foi devolvida aos chineses e Pu Yi, então capturado pelos soviéticos, somente voltou à China nos anos 1950 como prisioneiro e depois jardineiro do Jardim Botânico de Pequim. Tornou-se bibliotecário e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

Já com os anos avançados, como um quase-nada, ressalta Bertolucci no final de O Último Imperador, Pu Yi, que morreu em 1967, passa batido pelos turistas que visitam inadvertidamente a Cidade Proibida. O diretor de 1900 esculpe esse retrato de quase três horas, que ganhou nove Oscar, em tons de melancolia, fazendo do último imperador da China um homem bertolucciano, à maneira de outros personagens marcantes de sua carreira, como os angustiados e sempre conflituosos Marcello e Paul de O Conformista e O Último Tango em Paris, interpretados, respectiavamente, por Jean-Louis Trintignan e Marlon Brando.

Parece maldição do Oscar, não canso de dizer, Bertolucci continuou fazendo filmes, uns menos tocantes que outros, como O Céu Que nos Protege (1990), O Pequeno Buda, Beleza Roubada (1996), Assédio (1998) e Os Sonhadores (2003), mas não com o mesmo prestígio que o cercou durante anos em sua trajetória de cineasta engajado. Os Sonhadores, sobretudo, é um filme supervalorizado.

O Último Imperador
De Bernardo Bertolucci
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