Falta direção de ator a Assalto ao Banco Central

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Marcos Paulo (D) dirige Lima Duarte em Assalto ao Banco Central, filme que reproduz roubo ocorrido em Fortaleza

A trajetória de Assalto ao Banco Central parece que vai ser longa. O filme que marca a estréia do ator e diretor de televisão Marcos Paulo no cinema tem o perfil para agradar grande público. E mesmo o seu corte final apresenta atributos, com o ritmo ágil e uma montagem que contempla, sem tantas pretensões, mas de forma simples e eficiente, um corpo narrativo único – a história da formação do bando para a prática do assalto – que logo se desdobra em outros.

De um lado a dissolução do grupo de ladrões, que é feita aos sobressaltos, gera desconfiança, traições e deixa a maioria da gang vulnerável; do outro, o processo de investigação policial, que se alimenta justamente dessa falta de manejo para desarticular a quadrilha quase completamente. O filme caminha a passos largos apenas nessa direção. Impossível pensar em algo mais quando se assiste à representação da ação contra o Banco Central em Fortaleza, de onde foram roubados R$ 164, 7 milhões, em 2005.

A imagem que surge logo na tela, de homens com máquinas escavando, que poderia ser uma boa metáfora para expressar um caminho menos superficial a seguir, de mergulho na ação, nos corações e mentes daquele bando que se lança mesmo em um buraco, numa grande jornada, cai logo por terra. E o momento em que um dos personagens fura uma tubulação de esgoto, e sai chafurdado de imundície, passa batido. Logo, logo o filme vai dizer a que veio. Faltam texto convincente e direção de ator.

Os personagens são esquemáticos, é difícil encontrar um ator sequer bem colocado em uma linha de interpretação no mínimo aceitável. Nem Lima Duarte e Giulia Gam, dois dos mais experientes profissionais entre os intérpretes requisitados, que fazem os policiais federais que investigam o caso, se salvam de momentos constrangedores como as cenas deslocadas do filme que nos deixam perceber que a personagem de Giulia é lésbica.

Talvez interessante mesmo seja apenas a presença de Tonico Pereira, no papel do engenheiro comunista que projeta a construção do túnel, Gero Camilo, como o bandido que fura a tubulação de esgoto, e Antonio Abujamra, o funcionário que dá a dica sobre a posição em que se encontram, dentro do cofre do banco Central, o dinheiro e as câmeras do circuito interno de TV.

No mais, o filme só nos faz sentir saudades de um tipo de produção que é quase um subgênero do thriller hollywodiano. E de uma comédia muito boa de Woody Allen, Trapaceiros, em que o personagem interpretado pelo grande cineasta norte-americano e amigos resolvem alugar uma loja de biscoitos finos para dali, por meio de um túnel, chegar até o banco do outro lado da rua. Resultado: o roubo dá errado, mas os negócios com os doces viram um sucesso. Mirem-se nos exemplos.