Amor, filme de Michael Haneke, nasce e se resolve da certeza do nada

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AMOR – Michael Haneken não se contenta em ser a síntese do sueco Ingmar Bergman e do dinamarquês Carl Dreyer. Em Amor, há caminho próprio, sem lugar para fuga, enternecimento.

É por isso que a luz que entra pelas janelas do apartamento de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant jamais poderia ser a de Sven Nykvist em Gritos e Sussurros (1973), por exemplo. Amor, que ganhou a estatueta de melhor filme estrangeiro, está muito acima do Oscar.

Falo sobre Bergman porque no cineasta sueco sempre havia a mínima possibilidade de remissão: o instante de felicidade, sobre o qual se fala no final de Gritos. E reafirmo: isso é apenas um exemplo. Em Dreyer, então, da miséria humana faz-se luz. O espírito santo baixa, opera-se o milagre. Lembremos de A Palavra (Ordet, 1955).

Em Haneke, não, é porrada mesmo, sem retorno. Por isso que o gesto de Trintignant é abrupto. É quase como dizer: “Fiz o que deveria ser feito”. E isso dói muito. Muito mais em quem quer cultivar o mínimo possível. Falo de esperança.

À pergunta da mulher sobre o que diria se ninguém fosse ao seu enterro, ele responde: “NADA”. Coloco em caixa alta, porque me parece um momento notável. Sarcástico, isso é humor nascido da entranha e da certeza do nada.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck e Dinara Drukarova.
Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Darius Khondji
Duração: 127min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha, Áustria
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos