Alfred Hitchcock, o círculo e o Panorama Internacional Coisa de Cinema

Um Corpo que Cai - pontocedecinema.blog.br

James Stewart em Vertigo - Um Corpo que Cai: formações circulares são sinis de vertigem e desordem interior

Alfred Hitchcock em exibição em tela grande, em cópias restauradas, é uma raridade.

O IX Panorama Internacional Coisa de Cinema, que exibe mais de 150 filmes e será aberto nesta quinta (31/10) no Espaço Itaú Glauber Rocha, em Salvador, e em Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano, traz de volta a partir de amanhã cinco títulos do mestre do suspense que não precisam de carta de apresentação.

O mínimo que se pode dizer sobre todos eles é que são excelentes, senão obras-primas incontestáveis.

O supercult Janela Indiscreta, Disque M para Matar, em versão 3D, como foi originalmente realizado nos anos 50, Vertigo – Um Corpo Que Cai, escolhido no ano passado, na Inglaterra, como melhor filme de todos os tempos, Psicose, o mais conhecido de Alfred Hitchcock, e o apocalíptico Os Pássaros.

Em Os Pássaros, o mais novo de todos, realizado em 1963, não se encontra um único sinal de velhice, passados 50 anos desde que Tippi Hedren conheceu Rod Taylor em uma loja de São Francisco e resolveu segui-lo, atravessando Bodega Bay, com um casal de pássaros numa gaiola desenhando um enigma, anunciando uma tragédia.

Se Os Pássaros continua perfeito, desafiando o tempo, o que dizer então de Psicose?

Três anos antes, Psicose deixou atônitas plateias do mundo todo e se tornou um dos maiores sucessos de um Hitchcock desacreditado pela Paramount, mesmo depois de fazer dois dos seus mais importantes filmes, Intriga Internacional e Vertigo.

Vertigo é a história de uma vertigem magnificamente anunciada nos créditos iniciais pela arte do designer Saul Bass e a música de Bernard Herrmann com sobreposições de formações circulares, como olhos, espirais e mandalas.

Aliás, o círculo é uma das constantes temáticas em Hitchcock, como nos mostram vários outros filmes do mestre do suspense.

Mas aqui nos interessam o plano de detalhe no disco do telefone em Disque M para Matar, a lente da câmera de James Stewart em Janela Indiscreta e o olho duro confundindo-se com o ralo da banheira por onde escoam a água e o sangue do corpo de Janet Leigh em Psicose.

São sinais que podem nos levar a novas maneiras de sondar a imagem do filme, redefinem o olhar, apontam para um estado de agonia e anunciam e instauram a morte.

Do mesmo modo que o bailado dos créditos iniciais de Saul Bass é uma premonição da desordem interior à qual serão submetidos Kim Novak e James Stewart em Vertigo – Um Corpo que Cai, obra-prima indiscutível.