Além dos muros da escola

Depois da Chuva - potocedecinema.blog.br

Pedro Maia e Sophia Corral em Depois da Chuva: contestação Foto: Agnes Cajaíba/ Divulgação

Depois da Chuva é mesmo desencantado. Não tinha como ser diferente. O enfeite, o ornato, a suntuosidade e o exagero, parece convincente no filme, não cabiam em um poço de inquietação e espontaneidade.

O filme detecta o espírito desiludido em uma época. Mais do que isso: sabe se pôr com graça diante de um estado de crise, vazio e angústia que se reconhece de cara constante, atemporal.

Nesse sentido, é profundamente sutil e sintomática uma apresentação de alunos em comemoração à Semana de Arte Moderna de 22, que se revela constrangedora em plenos anos 80.

Há algo de Entre os Muros da Escola (2008), de Laurent Cantet, e Se…. (1969), de Lindsay Anderson, ambos laureados com a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

O espírito contestador perpassa todo o filme, em uma linha narrativa que vai encontrar o ponto culminante no campo aberto e desolado de uma fábrica de cimento  abandonada no subúrbio de Salvador.

O comício, a ameaça nuclear, a primeira vítima de aids. O didatismo parece exemplar e necessário em um espaço estudantil. Depois da Chuva é um filme escolar, assim como a ação repetida de Caio de pular o muro para, quem sabe, alcançar a vida.

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