Concubina: 50 anos de história da China

Adeus Minha Concubina - pontocedecinema.blog.br

Leslie Cheung no filme de Chen Kaig, o intempestivo intérprete da concubina da Opera de Pequim

Adeus, Minha Concubina, a obra-prima de Chen Kaige, começa em 1977, um ano depois da morte de Mao. Dois homens se encontram em um estádio e logo logo se descortina o passado dos garotos Xiaolou e Douzi (interpretados, quando adultos, por Zhang Gengyi e Leslie Cheung), que são apanhados na rua, levados para um treinamento rigoroso e anos depois alçados aos papéis de rei e rainha da Ópera de Pequim.

Intérpretes de Adeus, Minha Concubina, eles vivem uma relação de amor, até a aparição da prostituta Juxian (Gong Li), que enfim casa com Xiaolou, deflagrando a ira de Douzi, o intempestivo intérprete da concubina, de presença marcante nesse drama pessoal e histórico em que se misturam a realidade e a ficção entranhadas na tradicional ópera chinesa surgida no final do século XVIII.

Em meio a um período de mais de 50 anos marcados pela invasão da China pelo Japão, a Segunda Guerra Mundial, a formação da República Popular da China, caminhando até os estertores da Revolução Cultural, Adeus, Minha Concubina impõe-se como uma das obras-primas do cinema dos anos 1990. Baseado no romance de Lilian Lee, concorreu ao Oscar de Melhor Melhor Fotografia e Melhor Filme Estrangeiro e dividiu a Palma de Ouro com O Piano, de Jane Campion, em 1993.

Inesqucível, entre os grandes momentos de Adeus Minha Concubina, a sequência em que os japonenses invadem o teatro e Douzi permanece em cena, impregnando sua personagem de rebeldia e revolta, em um giro eterno e demente sobre o palco, enquanto deixa todos estupefatos ao repetir incisivamente os acordes da Ópera de Pequim. O grande ator Leslie Cheung, astro pop reverenciado em Hong Kong, que também trabalhou, entre outros, com John Woo e Wong Kar-Way, cometeu suicídio atirando-se do Mandarin Oriental Hotel em abril de 2003.