A Crítica Cinematográfica na Bahia (5) – João Carlos Sampaio

João Carlos Sampaio - pontocedecinema.blog.br

Sampaio: formação do cinéfilo. Foto: David Campbell

Hoje o crítico de cinema mais atuante no jornalismo impresso baiano, João Carlos Sampaio começou a escrever para o jornal A TARDE em 1995. Aliás, além da presença de João Sampaio no 2+ (antigo Caderno 2), e a coluna de André Setaro, publicada às quintas-feiras na Tribuna da Bahia, não há mais espaço reservado à crítica nos jornais baianos.

As letras mal se seguram nas páginas, o que reflete o espírito do nosso tempo. Não é uma prerrogativa de Salvador, que conta apenas com A TARDE, Correio e Tribuna da Bahia, mas aqui o momento se apresenta com maior gravidade, comparado com outras grandes cidades brasileiras.

João Carlos Sampaio surge em 1993 no Bahia Hoje, que não durou muito tempo. Em 1995, A TARDE mantinha a coluna de Berbert de Castro e eu, que exercia a função de copy no Caderno 2, escrevia com frequência, desde o início dos anos 1990, na Revista da TV, aos domingos, assinando coluna de lançamentos de filmes em VHS, contribuía com certa regularidade para o suplemento A TARDE Cultural, aos sábados, editado por Florisvaldo Mattos, e publicava no próprio Caderno 2.

Mas o jornal, em 1995, precisava de mais alguém de cinema. Minha contribuição à crítica cinematográfica diminuía paulatinamente, determinado pelas demandas internas sempre crescentes na redação do jornal e a partir de então aliando ao trabalho de redação no Caderno 2 a coordenação de programação da Sala Walter da Silveira.

Quentin Tarantino já havia explodido com Cães de Aluguel e Pulp Fiction – Tempo de Violência. O cinema chinês, revelado sobretudo pela excelência dos filmes de Zhang Yimou e Chen Kaige, era um dos mais celebrados pela crítica internacional. Iranianos, como Abbas Kiarostami, Jafar Pahi, Samira e Mohsen Makhmalbaf, davam as caras no mundo ocidental. E o polonês Krzysztof Kieslowski encantava e intrigava a todos com a Trilogia das Cores A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha.

João Carlos Sampaio cercou esse momento e ampliou, no período, a penetração do crítico baiano no circuito nacional, sobretudo participando das grandes mostras e festivais brasileiros que não mais se concentram no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas se abrem em leque pelo Rio Grande Sul, Paraná, Minas Gerais, Brasília, Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão. Hoje, além das publicações no A TARDE, João Sampaio está envolvido com o movimento cineclubista brasileiro, com a realização de oficinas de crítica de cinema e curadorias para festivais, além de integrar a diretoria, como secretário, da recém-formada Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

No início do ano João Carlos Sampaio participou, em São Paulo, de um bate-papo para debater o papel da crítica cinematográfica, em programa que integrou o 37º Festival Sesc Melhores do Ano, onde declarou o envolvimento com o movimento cineclubista, seja com a criação, há alguns anos, do Cineclube Lanterninha, que exibe filmes e leva atores e diretores para bate-papo com alunos do segundo grau, a participação no Projeto Mais Cinema, a exibição no interior do estado dos filmes que integram a coleção lançada pela Dimas/Fundação Cultural, marcando os 100 anos do cinema baiano, e com as oficinas de crítica cinematográfica.

“É uma ação multiplicadora. A gente consegue de alguma maneira contribuir para que as pessoas falem mais sobre o cinema, pensem mais sobre o cinema. É importante que a gente pense em quem é que está interessado nessa crítica e que tipo critica é essa. A gente tem interlocução? A gente fala muito em crise da crítica, mas acho que também tem esse outro lado. Temos que ter preocupação com a formação, com a educação do cinéfilo”, afirma João, que considera a multiplicação dos pontos de cultura e pontos de exibição de cinema como uma das boas contribuições que ficou de herança do MinC (Ministério da Cultura) na gestão passada.