Kenneth Branagh faz adaptação reverente do Deus do Trovão

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Thor (Chris Hemsworth) e Jane Foster (Natalie Portman) no filme de Branagh. Foto: Zade Rosenthal/ Marvel Studios

Quem consegue ficar até o final dos créditos de Thor, dirigido por Kenneth Branagh, desfruta de uma pequena cereja. É assim como se os apresentadores do Jornal Nacional dessem o tradicional boa noite e, depois do encerramento, na hora da propaganda, resolvessem voltar para uma última notícia.

Atenção: isto não é um spoiler, ou estraga-prazer, mas um alerta, já que no cinema quase ninguém espera o término dos créditos. Sai Thor e entra uma ideia do que será Os Vingadores, cujas filmagens, tendo à frente Joss Whedon no roteiro e na direção, já começaram. O filme reúne os principais heróis da Marvel, incluindo este Thor, representado por Chris Hemsworth, que dividirá a cena com Robert Downey Jr (Homem de Ferro), Chris Evans (Capitão América), Mark Ruffalo (Hulk), Scarlett Johansson (Viúva Negra) e Jeremy Renner (Gavião Arqueiro).

Na cena além dos créditos aparecem o chefe de Jane Foster (Natalie Portman), Erik Selvig (Stellan Skarsgard), o agente Nick Fury (Samuel L. Jackson), da S.H.I.E.L.D, e o irmão usurpador de Thor, Loki (Tom Hiddleston). E não há mais nada para contar sobre esta surpresa final. Mas é preciso saber que Thor é uma aventura razoavelmente bem construída por Kenneth Branagh, o diretor e ator britânico de teatro que surpreendeu o mundo, no final dos anos 1980, antes de chegar aos 30 anos de idade, com a versão para o cinema de peça Henrique V, de William Shakespeare.

Uma surpresa porque a audácia de levar para as telas a história do rei inglês que, com um número bem inferior de comandados, derruba o exercito francês na batalha de Azincourt, no século XV, havia se tornado referência, nos anos 1940, nas mãos de ninguém menos que Laurence Olivier. Mas Branagh, sabendo do universo com que estava lidando e ele mesmo um ator shakespeareano, como Olivier, foi reverente ao filme de 1946 e fez uma adaptação extremamente convincente de Henrique V.

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Anthony Hopkis é Odin, o pai de Thor e Loki

Isso o moldou para mais duas versões honrosas do bardo inglês, Muito Barulho Por Nada, em 1993, e Hamlet, 1996, este talvez seu maior desafio, por causa da aura de supremacia que havia alcançado o filme dirigido e estrelado, em 1948, por Olivier na pele do rei da Dinamarca.

RESPEITO – Em Thor, Branagh não abandona esse indicativo. O respeito ao universo Marvel está ali, embora o diretor tivesse a oportunidade de tornar o filme muito mais shakespeareano do que, por exemplo, a presença dos atores britânicos Tom Hiddleston e Anthony Hopkins, no papel do pai, Odin, pudessem determinar. Em troca, uma referência ao idoso Rei Lear, da Grã-Bretanha, que amaldiçoa a filha bondosa, Cordélia, e não consegue se dar conta do perfil bajulatório e usurpador das outras duas filhas, Goneril e Regan.

No mais, antes de ser um filme para se levar em alta conta, Thor mostra que está aí para fazer barulho, com seus efeitos, deslocamentos e recuos de tempo abruptos, uma estrela em completa ascensão, a Natalie Portman (Cisne Negro) do Oscar 2011, que também voltará em Os Vingadores, e um ator (Chris Hemsworth) que se eleva ao pódio e não nega munição se, mais do que importante, o fundamental é ter physic du role.

Quem sabe, num futuro distante, Thor não possa erguer uma ponte que o leve de volta… Ah, mas como diria Billy Wilder, isso aí é uma outra história.