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Hugo Cabret, O Artista e o 3D autoral no Oscar

A Invenção de Hugo Cabret - pontocedecinema.blog.br

A Invenção de Hugo Cabret, filme de Martin Scorsese em 3D, concorre ao Oscar em 11 categrorias

A grande surpresa do Oscar é a ausência de As Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg, entre os indicados na categoria melhor animação. Algo que também salta os olhos: A Invenção de Hugo Cabret, o filme de magia e aventura que Martin Scorsese fez em 3D, com locações na França dos anos 1930, tem 11 indicações; pensava-se, na verdade, que a maior disputa ficaria entre o francês O Artista (10 nominações) e o norte-americano Os Descendentes (5), em que George Clooney (forte candidato a melhor ator) brilha no papel do advogado que tem que juntar os cacos da família quando a mulher entra em coma irreversível, depois de sofrer um acidente.

Mas o número de indicações de Hugo Cabret pode ser um sinal de que a grande indústria está de olho nas experimentações em torno do 3D, ainda não explorado em suas reais e grandes possibilidades artísticas. E esse talvez seja um dos méritos do filme de Scorsese, assim como o de Pina, também realizado em 3D pelo alemão Wim Wenders, sobre o trabalho da grande coreógrafa morta em 2009, Pina Bausch, que entra no páreo na categoria melhor documentário. Pena que Tintim tenha ficado de fora dessa história, outro 3D que não apresenta, essencialmente, nada de novo, mas é uma história levada por Spielberg com engenho, arte e muito humor.

O Artista - pontocedecinema.blog.br

O francês O Artista, que conta com Jean Dujardin no páreo como melhor ator, recebeu 10 nominações

Com menos indicações, O Artista, porém, não perde em importância. Colocadas na balança, ao lado de Hugo Cabret, as indicações do filme mudo e em preto e branco, que é uma homenagem do cinema francês ao musical hollywoodiano, ganham mais peso. Além de filme, direção, roteiro, fotografia e edição, categorias de destaque disputadas pelos dois filmes, O Artista concorre a prêmios de atuação, como melhor ator (Jean Dujardin) e atriz coadjuvante (Berenice Bejo). E isso conta. Assim como torna O Homem Que Mudou o Jogo, com seis indicações (entre elas filme, ator – Brad Pitt -, ator coadjuvante – Jonah Hill -, roteiro adaptado e edição) mais representativo que Cavalo de Guerra, também com seis, mas a maioria com menos peso.

Nisso tudo, Os Descendentes, talvez o filme com mais cara de Oscar entre todos os indicados, entra com apenas cinco nominações, mas todas elas importantes: filme, direção (Alexander Payne), ator (Clooney), roteiro adaptado e edição. Veem-se com muita simpatia as indicações do iraniano A Separação, que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano passado, como melhor roteiro e filme estrangeiro, Meryl Streep, pela 17ª vez, como melhor atriz por A Dama de Ferro, e a presença dos veteranos Christopher Plummer (Toda Forma de Amor) e Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto) como melhor coadjuvante.

Não acredito que A Árvore da Vida, o grande ensaio de Terrence Malick sobre a formação do universo, que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e tanta polêmica provocou, mundo a fora, no ano passado, tenha alguma chance como melhor filme, direção e fotografia. O filme do diretor norte-americano está muito além do padrão hollywoodiano. Assim como Meia-noite em Paris, de Woody Allen, que inclusive é ácido – não vê com bons olhos o american way of life. No mais, é torcer para que se dilua um pouco do complexo de vira-lata do Brasil (Tropa de Elite 2 foi dispensado antes do tempo) e vença a música da animação RioReal in Rio (Favo de Mel) -, de Carlinhos Brown e Sergio Mendes, com letra de Siedah Garrett, concorrendo com Man or Muppet, de The Muppets, na categoria melhor canção.

Veja a abertura e ouça a música de Rio, Real in Rio.

Rio - pontocedecinema.blog.br

Rio, esperança do Brasil: a música de Carlinhos Brown e Sergio Mendes concorre a melhor canção

A seguir, os filmes com maior número de indicações:

A Invenção de Hugo Cabret
Filme, direção, roteiro adaptado, trilha sonora, edição de som, efeitos visuais, mixagem de som, direção de arte, fotografia, figurino, edição.

O Artista
Filme, direção, ator, atriz coadjuvante, roteiro original, trilha sonora, direção de arte, fotografia, figurino, edição.

O Homem que Mudou o Jogo
Filme, ator, ator coadjuvante, roteiro adaptado, mixagem de som, edição.

Cavalo de Guerra
Filme, trilha sonora, edição de som, mixagem de som, direção de arte, fotografia.

Os Descendentes
Filme, direção, ator, roteiro adaptado, edição

A seguir, todas as indicações:

Filme
“A Árvore da Vida”
“Os Descendentes”
“Histórias Cruzadas”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O Homem Que Mudou o Jogo”
“Cavalo de Guerra”
“O Artista”
“Meia-Noite em Paris”
“Tão Forte e Tão Perto”

Direção
Woody Allen – “Meia-Noite em Paris”
Michel Hazanavicius – “O Artista”
Alexander Payne – “Os Descendentes”
Martin Scorsese – “A Invenção de Hugo Cabret”
Terrende Malick – “A Árvore da Vida”

Ator
Demián Bichir – “A Better Life”
George Clooney – “Os Descendentes”
Jean Dujardin – “O Artista”
Gary Oldman – “O Espião Que Sabia Demais”
Brad Pitt – “O Homem Que Mudou o Jogo”

Atriz
Glenn Close – “Albert Nobbs”
Viola Davis – “Histórias Cruzadas”
Rooney Mara – “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
Meryl Streep – “A Dama de Ferro”
Michelle Williams – “Sete Dias com Marilyn”

Ator Coadjuvante
Christopher Plummer – “Toda Forma de Amor”
Jonah Hill – “O Homem Que Mudou o Jogo”
Kenneth Branagh – “Sete Dias com Marilyn”
Nick Nolte – “Guerreiro”
Max von Sydow – “Tão Forte e Tão Perto”

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo – “O Artista”
Jessica Chastain – “Histórias Cruzadas”
Melissa McCarthy – “Missão Madrinha de Casamento”
Janet McTeer – “Albert Nobbs”
Octavia Spencer – “Histórias Cruzadas”

Roteiro original
“O Artista” – Michel Hazanavicius
“Missão Madrinha de Casamento” – Jriste Wiig, Annie Mumolo
“Margin Call – O Dia Antes do Fim” – J.C. Chandor
“Meia-Noite em Paris” – Woody Allen
“A Separação” – Ashgar Farhadi

Roteiro adaptado
“Os Descendentes” – Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash
“A Invenção de Hugo Cabret” – John Logan
“Tudo pelo Poder” – George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
“O Homem que Mudou o Jogo” – Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin
“O Espião que Sabia Demais” – Bridget O’Connor, Peter Straughan

Animação
“Um Gato em Paris”
“Chico & Rita”
“Kung Fu Panda 2″
“Gato de Botas”
“Rango”

Canção original
“Man or Muppet” – “The Muppets” – Música e Letra de Bret McKenzie
“Real in Rio” – “Rio” – Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett

Trilha sonora
“As Aventuras de Tintim” – John Williams
“O Artista” – Ludovic Bource
“A Invenção de Hugo Cabret” – Howard Shore
“O Espião que Sabia Demais” – Alberto Iglesias
“Cavalo de Guerra” John Williams

Filme estrangeiro
Bélgica – “Bullhead” – Michael R. Roskam
Canadá – “Monsieur Lazhar” – Philippe Falardeau
Irã – “A Separação” – Asghar Farhadi
Israel – “Footnote” – Joseph Cedar
Polônia – “In Darkness” – Agnieszka Holland

Efeitos visuais
“Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 ”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de Aço”
“Planeta dos Macacos: A Origem”
“Transformers: O Lado Oculto da Lua”

Edição de som
“Drive”
“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: O Lado Oculto da Lua”
“Cavalo de Guerra”

Mixagem de som
“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O Homem Que Mudou o Jogo”
“Transformers: O Lado Oculto da Lua”
“Cavalo de Guerra”

Direção de arte
“O Artista” – Laurence Bennett, Robert Gould
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″ – Stuart Craig, Stephenie McMillan
“A Invenção de Hugo Cabret” – Dante Ferretti, Francesca Lo Schiavo
“Meia-Noite em Paris” – Anne Seibel, Hélène Dubreuil
“Cavalo de Guerra” – Rick Carter, Lee Sandales

Fotografia
“O Artista”
“Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“A Árvore da Vida”
“Cavalo de Guerra”

Figurino
“Anônimo” -
“O Artista”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Jane Eyre”
“W.E.”

Curta metragem de animação
“Dimanche/Sunday” – Patrick Doyon
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” – William Joyce and Brandon Oldenburg
“La Luna” – Enrico Casarosa
“A Morning Stroll” – Grant Orchard and Sue Goffe
“Wild Life” – Amanda Forbis and Wendy Tilby

Curta metragem
“Pentecost” – Peter McDonald and Eimear O’Kane
“Raju” – Max Zähle and Stefan Gieren
“The Shore” – Terry George and Oorlagh George
“Time Freak” – Andrew Bowler and Gigi Causey
“Tuba Atlantic” – Hallvar Witz

Maquiagem
“Albert Nobbs”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2″
“A Dama de Ferro”

Edição
“O Artista”
“Os Descendentes”
“Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O Homem Que Mudou o Jogo”

Documentário longa metragem
“Hell and Back Again”
“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front”
“Paradise Lost 3: Purgatory”
“Pina”
“Undefeated”

Documentário curta metragem
“The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement”
“God Is the Bigger Elvis”
“Incident in New Baghdad”
“Saving Face”
“The Tsunami and the Cherry Blossom”

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Os 200 anos do escritor britânico Charles Dickens

Oliver - pontocedecinema.blog.br

Cena de Oliver, musical de 1968 que ganhou quatro Oscar, incluindo melhor direção para Carol Reed

Talvez não seja a melhor adaptação de Charles Dickens (1812-1870) no cinema, nem a mais fiel, pois se trata de uma livre transposição do romance do escritor britânico que estaria completando 200 anos nesta terça-feira, mas destaco, logo abaixo, uma das magníficas sequências de Oliver, lançado em 1968 por Carol Reed (O Terceiro Homem), que ganhou quatro Oscar: melhor filme, diretor, trilha sonora, direção de arte e som.

Uma aula, um exercício de mise-en-scène, uma delicadeza narrativa nesse e em vários momentos do musical que acompanha a trajetória do garoto criado em um orfanato, interpretado por Mark Lester, que ganha as ruas de Londres e fica à mercê de ladrões e dos mais variados tipos de escroques, depois de ser vendido para um agente funerário que o quer como seguidor de féretro.

Uma história que talvez encontre seus melhores momentos no cinema no filme dirigido em 1948 por David Lean – logo depois de lançar outra obra-prima, adaptada também de um romance de Dickens, Grandes Esperanças(1946) – e no Oliver Twist de Roman Polanski, de 2005, de certa forma, subestimado por público e crítica, que mostra o diretor de O Bebê de Rosemary em forma, pouco antes do impactante O Escritor Fantasma.

Aliás, a título de lembrança, é de Roman Polanski outro belíssimo filme de corte essencialmente clássico desprezado a sua época: Tess, realizado em 1979, baseado na novela Tess of the d’Urbervilles, de Thomas Hardy (1840-1828), que não é outro senão o escritor de Judas, O Obscuro e um dos autores da era vitoriana influenciados por Dickens.

No bicentenário de Charles Dickens, vale a pena lembrar que se contam centenas de adaptações para o cinema e a TV de obras desse escritor, o mais famoso de seu tempo. Nascido na cidade litorânea de Portsmouth (sul da Inglaterra), ele recebe, hoje, inúmeras homenagens, dentre elas, uma cerimônia em seu no túmulo, na abadia de Westminster, em Londres, com a participação do príncipe Charles e do ator Ralph Fiennes.

Fiennes, atualmente envolvido em duas produções sobre o escritor, atua na nova adptação de Grandes Esperanças, dirigida por Mike Newell – que conta, no elenco, com Helena Bonham Carter e Jeremy Irvine, o garoto Joey, de Cavalo de Guerra, no papel de Pip, o órfão criado pela família de um ferreiro – e dirige The Invisible Woman, longa sobre o relacionamento de Dickens com a atriz Ellen Ternan, sua amante.

Sobre Charles Dickens
O que ver: Oliver Twist (versões de David Lean e Roman Polanski)
Oliver (de Carol Reed)
Grandes Esperanças (de David Lean)
Onde encontrar: Vintage Videos

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Comoção pela morte do cineasta Linduarte Noronha, diretor de Aruanda

Linduarte Noronha - pontocedecinema.blog.br

Antes de dirigir Aruanda, Linduarte Noronha foi repórter e crítico de cinema

Diretor do curta Aruanda (1960), um dos precursores do Cinema Novo, a morte de Linduarte Noronha, 81 anos, na madrugada de ontem, deixa comovidos cineastas, atores, críticos, produtores e demais representantes do cinema brasileiro. Nascido em Pernambuco, mas com carreira construída e solidificada na Paraíba, Noronha foi internado com pneumonia, na semana passada, em um hospital de João Pessoa, onde sofreu uma parada respiratória na madrugada de ontem.

“Aruanda está para o moderno cinema brasileiro como A Bagaceira, do também paraibano José Américo de Almeida, está para nosso modernismo literário. O Nordeste, sua realidade, seus mitos, texturas, asperezas, locações e personagens, abria passagem – em 1960 como em 1928, nos filmes como nos livros”, escreveu, em 2008, o crítico Amir Labaki, responsável pelo festival É Tudo Verdade, na época celebrando a contribuição de Linduarte Noronha ao marcar, com uma mostra, os 50 anos da reportagem que originou Aruanda, As Oleiras de Olho d’Água na Serra do Talhado, de 1958.

Também autor de O Salário da Morte, primeiro longa paraibano, realizado em 1971, Noronha foi repórter e crítico de cinema antes de dirigir Aruanda, que conta a história da fundação do quilombo Olho d’Água da Serra do Talhado, em meados do século XIX, pelo ex-madeireiro Zé Bento. E revisita um século depois a comunidade baseada numa produção que variava do plantio de algodão à cerâmica primitiva, conforme assinala logo no início do filme.

Entuasiasta da obra de Noronha, o baiano Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol) escreveu sobre o cineasta, no início dos anos 1960, em seu histórico Revisão Crítica do Cinema Brasileiro:

“Linduarte noronha é um repórter com ressonâncias de ensaísta. É um homem culto, trinta e dois anos, conhecedor do nordeste, sua literatura de ficação e sua tradição crítica. Da Paraíba, vizinho de Pernambuco, é naturalmente ligado às características da arte nordestina: da poesia de João Cabral-Joaquim Cardoso, do teatro Suassuna, da novelística Graciliano-José Lins do Rego. Aruanda tem a força dessas obras nordestinas e funda, trinta e cinco anos depois do ciclo cinematográfico de Pernambuco, de onde Aitaré da Praia ficou como lenda, a renascença do cinema nordestino”.

Acesse o link e assista ao curta Aruanda, de Linduarte Noronha.